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Tempo para percorrer uma milha (1,6km) correndo pode ser um bom indicador da saúde cardíaca em longo prazo

Corrida: tempo gasto para percorrer 1,6km pode ser um indicador da saúde cardíaca no futuro, diz estudo
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Corrida: tempo gasto para percorrer 1,6km pode ser um indicador da saúde cardíaca no futuro, diz estudo
Em quanto tempo você consegue correr uma milha (1,6km)? Para pessoas na meia-idade, essa simples medida de aptidão física pode ajudar a prever o risco de problemas cardíacos conforme envelhecem.

Em dois estudos separados, pesquisadores da Southwestern Medical School, na Universidade do Texas, e do Cooper Institute, em Dallas, analisaram níveis de condicionamento físico de mais de 66 mil pessoas.

No geral, a pesquisa mostrou que esse nível, numa pessoa de meia-idade, é um forte indicador da saúde do coração em longo prazo – sendo tão confiável quanto fatores tradicionais de risco, como colesterol ou pressão sanguínea. Os dois estudos foram publicados no mês passado, nas publicações “Circulation” e “Journal of the American College of Cardiology”.

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Nas pesquisas, a aptidão física foi medida usando testes cuidadosamente monitorados sobre a esteira, para avaliar resistência cardiovascular e fadiga muscular. Ao analisar os dados, porém, os pesquisadores sugeriram que os resultados da esteira poderiam ser traduzidos em tempos médios de corrida – oferecendo uma fórmula simples para médicos e indivíduos classificarem seu condicionamento na meia-idade e preverem riscos cardíacos em longo prazo.

“Quando você tenta definir o condicionamento físico, o que ele significa?”, questionou Jarett D. Berry, professor de medicina interna e cardiologia na Southwestern Medical School e coautor de ambos os artigos.

“Neste dois estudos, o tempo para correr 1.609 metros na meia-idade é fortemente associado ao risco de doenças cardíacas quando se é mais velho. Os exercícios que você faz na casa dos 40 anos são altamente relevantes ao seu risco cardíaco quanto tiver 80”.

Berry adverte que mais estudos são necessários antes que os tempos de milha (nos EUA o sistema métrico é diferente e uma milha equivale a 1,6km) possam ser usados como referencial aceitável para o risco cardiovascular. Ainda assim, ele aponta que o ritmo de corrida de uma pessoa é uma medida de condicionamento fácil de entender, e um bom ponto de partida para medir a aptidão física geral.

A partir dos dados do estudo, Berry calculou que um homem na casa dos 50 anos que corre 1,6km em 8 minutos ou menos (ou 9 minutos ou menos para uma mulher) mostra um alto nível de condicionamento. Percorrer o mesmo trecho em 9 minutos para homens e 10min30 para mulheres é um sinal de condicionamento moderado, enquanto homens que não conseguem correr 1,6km abaixo de 10 minutos e mulheres que passam dos 12 minutos entram na categoria de baixo condicionamento. 

As categorias fazem uma grande diferença no risco de problemas cardíacos, segundo o estudo: aqueles no grupo de alto condicionamento tinham um risco de 10% de desenvolver problemas cardiovasculares ao longo da vida, frente a 30% no grupo de baixo condicionamento.

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Berry afirma que a aptidão física varia amplamente com idade e sexo e que as estimativas de tempo por milha são apenas bons referenciais para que pacientes e médicos comecem a discutir o condicionamento físico. Segundo ele, no geral uma milha em 10 minutos para um homem de meia-idade e em 12 minutos para um mulher na mesma etapa sugerem um bom nível de condicionamento.

“A principal descoberta destes estudos é que seu nível de aptidão, quando jovem, é um forte indicador do risco de doenças cardíacas dali a 30 ou 40 anos”, explicou. 

“Se estamos tentando desmembrar isto em implicações práticas, seria a velocidade em que você consegue correr. O risco cardíaco aumenta acentuadamente em cada minuto a mais que se leva para correr uma milha”.

Timothy Church, professor do Centro de Pesquisa Biomédica Pennington, em Baton Rouge, Louisiana, disse que mais pesquisas são necessárias para validar a ideia de que o tempo para correr uma milha se relaciona às categorias de risco no estudo original. Entretanto, ele concorda que os especialistas em exercícios precisam desenvolver uma maneira melhor de explicar exatamente o que o condicionamento físico representa. 

“Não se pode olhar para uma pessoa e deduzir se ela está ou não em forma”, disse Church. “O que é estar em forma? De um ponto de vista de fatores de risco, seria evitar um baixo condicionamento”. Ele também lançou mais uma nota de cautela sobre os referenciais de tempo de milha.

“Fico preocupado quando as pessoas testam seu condicionamento por conta própria”, afirmou. “Não quero que um homem sedentário de 45 anos saia pela rua correndo uma milha o mais rápido que pode”.
Mesmo assim, Church explicou que a maior parte dos benefícios de saúde do exercício vem da transição de condicionamento baixo a moderado e o desafio é encontrar uma forma de se comunicar e motivar as pessoas da categoria inferior. 

“Você deve saber se pertence à categoria imprópria”, garantiu Church. “Se você é fisicamente inativo, se fica sentado 18 horas por dia e se fica exausto subindo um lance de escadas. Se seu destino fica a dois quarteirões e você acaba esperando 20 minutos por um táxi, então sua categoria é fora de forma”.

Berry concordou que os referenciais de tempo de milha podem não ser bons indicadores para todos os indivíduos, dado que algumas pessoas em ótima forma têm limitações físicas que as impedem de correr rapidamente. A questão mais importante, segundo ele, é que a maioria das pessoas não tem uma ideia clara de seu próprio lugar no espectro da aptidão física e não conhecem os riscos que um condicionamento ruim representa à saúde no geral. 

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Mesmo pessoas que fazem caminhadas regulares, três vezes por semana, podem ter uma ideia superestimada sobre seu nível de aptidão, disse ele, acrescentando: “Você pode cumprir as diretrizes para atividades físicas, mas não necessariamente está em forma”.

Segundo ele, embora níveis modestos de exercícios sejam melhor do que nada, “levantar-se do sofá é o primeiro passo, mas uma atividade vigorosa surte um efeito muito mais palpável em seu nível de condicionamento físico”.

* Por Tara Parker-Pope

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