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Champix eleva chances de infarto e ataques cardíacos mesmo em pessoas sem predisposição para o problema, revela estudo

Champix é utilizado para quem quer parar de fumar
Getty Images
Champix é utilizado para quem quer parar de fumar
A droga prescrita para quem quer parar de fumar aumenta o risco de ataques cardíacos e infartos em 72%, mesmo naqueles pacientes sem problemas do coração , dizem os pesquisadores.

O novo estudo é lançado apenas uma semana depois do FDA, órgão norte-americano que regula os medicamentos, ter determinado que o rótulo do produto fosse modificado para advertir sobre um risco ligeiramente maior de problemas cardíacos em pacientes com esse histórico.

“Todos os fumantes que tomam o medicamento estão em risco”, afirmou Sonal Singh, um dos autores do estudo e professor de medicina da Johns Hopkins University School of Medicine.

A pesquisa, publicada na revista científica Canadian Medical Association Journal (CAMJ), é baseada em uma revisão de 14 estudos envolvendo mais de 8.200 fumantes, a maioria sem sinais de problemas cardíacos. Desses, 4900 tomaram Champix, os demais tomaram placebos.

Faça o teste: seu coração está em risco?

Os pesquisadores descobriram que 52 participantes (1,06%) que tomaram o medicamento tiveram problemas cardiovasculares graves em comparação com 27 (0,82%) do grupo controle.

"Sabemos há anos que o Champix é um dos medicamentos com receita mais perigosos do mercado americano, basta observarmos os efeitos colaterais declarados", disse, em comunicado, o professor Curt Furberg, também autor do estudo.

"O medicamento provoca perdas de memória, transtornos visuais, suicídios, estados de violência ou depressão e agrava os casos de diabetes", disse. "A esta lista, podemos, agora, agregar graves problemas cardiovasculares". Além disso, o remédio não é tão eficaz, completa o médico. “Se 10 pessoas começarem a tomar o remédio, 9 voltarão a fumar em um ano”, afirmou.

A farmacêutica

A Pfizer, farmacêutica responsável pela fabricação do produto, rejeitou as acusações e criticou o método do estudo, especialmente "a maneira em que foram contados e classificados os acidentes cardiovasculares".

Segundo a empresa, “a análise contem muitas limitações,a mais notável é o pequeno número de eventos cardiovasculares, o quelevanta a preocupaçãço sobre as conclusões dos autores. A diferença entre os grupos foi menor do que 0,25%.”

A Pfizer afirmou também que trabalha em conjunto com órgãos reguladores como o FDA, em uma contínua revisão e no monitoramento das informações do Champix.

Outras opiniões

Jeff Stier, pesquisador senior do Centro Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas (National Center for Public Policy Research), em Washington, disse que a pesquisa não pode ser encarada como "a palavra final". “É necessário um estudo que compare o aumento no risco cardiovascular entre quem toma o Champix e quem continua fumando”, afirma.

Bruce Darrow, professor assistente de cardiologia do Mount Sinai School of Medicine, em Nova Iorque, recomenda precaução antes de qualquer conclusão sobre o futuro da droga. “Não há evidências suficientes de que o remédio não deve ser ingerido, mas há evidências que sugerem algo nessa linha”, afirmou.

Darrow sugere que quem já toma o remédio converse com seu médico sobre continuar ou não fazendo uso do Champix. E recomenda: "não pare de tomar o medicamento sem antes consultar um médico."

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