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Capital será a primeira cidade fora do Estado a receber um centro de oncologia da instituição, que iniciará atividades em junho

Depois de 85 anos de existência, o tradicional Hospital Sírio-Libanês, localizado na capital paulista, vai ampliar suas atividades para fora de São Paulo.

A primeira cidade a receber uma unidade da instituição será Brasília. Prevista para abrir suas portas na primeira quinzena de junho, a unidade do Sírio-Libanês na capital federal terá como foco uma doença que deve acometer quase 500 mil brasileiros este ano: o câncer .

O Centro de Oncologia do Sírio-Libanês pretende, nas palavras do diretor da área no hospital, Paulo Hoff, oferecer aos pacientes a oportunidade de tratamentos mais próximos de casa e estabelecer parcerias com o corpo médico da cidade.

“Não queremos transplantar modelos de São Paulo em Brasília. Queremos que a experiência do centro de São Paulo seja adaptada à realidade e condições da cidade, que já tem um serviço médico muito bom”, ressalta Hoff.

Formado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB), o oncologista da presidenta Dilma Housseff e do ex-vice-presidente José de Alencar lembra que o hospital tem muitos pacientes que vivem na capital do País, famosos ou não. No entanto, a proposta é alcançar um número maior de pessoas.

“Brasília hoje é um centro não só de distribuição de vôos, mas que atrai pessoas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. Nós imaginamos que Brasília possa ser um foco de atração para quem busca tratamento oncológico de qualidade”, afirma.

Excelência: o oncologista Gustavo Fernandes coordenará o centro de tratamento em Brasília
Fellipe Brayan Sampaio
Excelência: o oncologista Gustavo Fernandes coordenará o centro de tratamento em Brasília
A infra-estrutura aeroportuária e hoteleira da cidade, para ele, também são facilitadores. “Além disso, temos um corpo clínico de alto nível na cidade, bons serviços de suporte, como imagens e laboratórios de reconhecida competência com os quais poderemos construir essa proposta. Queremos trazer algo a mais ao serviço feito em Brasília”, destaca. O centro terá cerca de 50 funcionários.

Dividido em três andares, o centro se prepara para iniciar suas atividades em condições de oferecer atendimento clínico em oncologia: consultas e aplicações de quimioterapia, inicialmente. A previsão é que os seis consultórios – que serão ocupados inicialmente por quatro médicos – e as 12 salas individuais para aplicação de quimioterapia possam atender até 800 consultas e 600 aplicações de quimioterapia por mês.

Em um futuro próximo – cerca de um ano – a unidade deverá oferecer também serviço de radioterapia. A área específica também está sendo construída e a máquina para aplicação já foi encomendada. Porém, o equipamento é preparado sob medida e leva até um ano para ficar pronto. Ao todo, estão sendo investidos R$ 6 milhões nessa unidade.

Benefícios

As dúvidas e os desconfortos enfrentados por quem recebe o diagnóstico da doença precisam ser minimizados na opinião da equipe do Sírio-Libanês. Os quartos individuais do centro têm o objetivo de ajudar o paciente a não pensar no estresse do momento da aplicação da quimioterapia, por exemplo.

“O diagnóstico do câncer é muito traumático e a gente quer humanizar ao máximo esse atendimento”, comenta Paulo Hoff.

O coordenador médico da nova unidade, Gustavo Fernandes, explica que a proposta é manter os pacientes o máximo possível fora do hospital. “Além disso, só queremos locomover o paciente para outra cidade quando realmente houver benefício para essa pessoa. Muitas vezes o paciente se desloca para ouvir algo que não é necessário ou poderia ser tratado no conforto da sua casa”, ressalta.

O diretor do Centro de Oncologia do Sírio-Libanês, Paulo Hoff, reconhece que há diferenças regionais de acesso às tecnologias para o tratamento do câncer, não só no Brasil, mas em muitos países. “Mas uma minoria de pacientes pode necessitar dessas tecnologias adicionais. Acredito que hoje a vasta maioria dos pacientes de Brasília pode ser tratada com a total eficiência aqui na cidade”, diz.

Claudio Ferrari, hematologista e oncologista que exercerá um papel integração entre os centros de oncologia de São Paulo e de Brasília, lembra ainda que o trabalho integrado aos demais médicos do paciente, que estão na cidade, fica mais fácil.

Ensino e pesquisa

Os centros de Brasília e São Paulo farão reuniões semanais via satélite para discutir os casos mais complexos, prática já utilizada hoje na sede paulista. “Temos diariamente em São Paulo reuniões multidisciplinares entre oncologistas, cirurgiões, patologistas, radiologistas, clínicos gerais e queremos que os médicos de Brasília participem também”, afirma Hoff.

Trabalhar na capital federal era um sonho antigo do chefe da oncologia do Sírio-Libanês, por causa do carinho pela cidade onde se formou. No futuro, as ambições são ainda maiores: estabelecer parcerias com as universidades, ampliar programas de residência em Brasília. “Essa incorporação de projetos de ensino e pesquisa vai ser feita paulatinamente”, conta.

Um primeiro passo foi a doação de uma máquina de radioterapia ao Hospital Universitário de Brasília. “É um sinal do que podemos fazer juntos. Como o Sírio é um hospital filantrópico, ele precisa reinvestir o dinheiro que seria gasto com os impostos não-recolhidos. Toda a renda que for gerada em Brasília será reinvestida com projetos na cidade”, garante.

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