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Pesquisa mostrou que número de mortes causadas por câncer e infarto é igual entre quem toma e quem não toma suplementos

Vitaminas: uso contínuo é caro e não garante proteção de doenças como câncer e infarto
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Vitaminas: uso contínuo é caro e não garante proteção de doenças como câncer e infarto
Estaremos protegidos contra o câncer e o infarto tomando suplemento vitamínicos? De acordo com uma pesquisa recente, a resposta é não.

Em um estudo realizado com mais de 180.000 participantes, cientistas verificaram o mesmo número de mortes causadas por câncer e infarto entre pessoas que tomavam vitaminas e aquelas que não tomavam os suplementos.

“Precisamos entender que simplesmente tomar todas estas vitaminas não é o suficiente para a prevenção de doenças”, disse Jennifer Hsiang-Ling Lin, professora de medicina do Brigham and Women's Hospital, de Boston, que não participou do estudo.

Leia: Vitaminas na dose certa

Diversas pesquisas anteriores já haviam mostrado que não existe uma ligação entre os suplementos vitamínicos e a redução dos riscos de câncer e infarto. Outros estudos mais recentes também não conseguiram provar que estes suplementos protejam contra o diabetes.

Alguns estudos menores já mostraram que determinadas vitaminas, mas não os complexos multi-vitamínicos, podem proteger contra problemas cardíacos ou câncer ao longo da vida. Entretanto, tais estudos analisaram uma grupo de pessoas subnutridas, não adultos geralmente saudáveis como é a população americana, disse Song-Yi Park, professor de epidemiologia do Centro do Câncer da Universidade do Havaí e um dos autores do estudo.

Em seu website, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos adverte que médicos devem prescrever os suplementos vitamínicos somente aos pacientes deficientes de vitaminas, incapacitados de ingerir alimentos suficientes para obter as vitaminas necessárias ou que não podem receber os benefícios integrais das vitaminas presentes nos alimentos ingeridos.

Entretanto, Lin afirma que mais da metade dos adultos americanos optam pelos suplementos vitamínicos.
“Muitos deles fazem esta escolha por acreditar que assim estarão prevenindo doenças crônicas”, disse Ross Prentice, diretor do Fred Hutchinson Cancer Research Center da Universidade de Washington em Seattle, que não participou do estudo.

A equipe liderada por Park analisou os hábitos de tomar vitaminas de mais de 82.000 homens e 100.000 mulheres, com idade média de 60 anos. Durante 11 anos, a equipe de pesquisa registrou quantos participantes do estudo morreram e como as mortes foram causadas. Em cada 100 participantes que tomavam ou não suplementos vitamínicos, em torno de seis morreram de problemas cardíacos, cinco de câncer e quatro de outras causas. No total, quase 29.000 participantes morreram ao longo dos 11 anos de acompanhamento do estudo.

Aparentemente, os complexos multi-vitamínicos não protegeram seus usuários contra diferentes tipos de câncer – como o câncer de pulmão, de cólon, de reto, de próstata ou de mama. A Sociedade Americana do Câncer informa que, a cada ano, em torno de 616.000 pessoas morrem de problemas cardíacos e 560.000 morrem de câncer nos Estados Unidos.

Lin ressaltou que os pesquisadores não constataram que o uso destes suplementos seja prejudicial. Entretanto, eles podem sair bastante caro. De acordo com dados do Consumer Reports, os americanos gastaram quase US$4,7 bilhões em suplementos vitamínicos em 2008. Dependendo do tipo, o custo mensal destes suplementos pode variar de US$3 a US$16.

O estudo não pôde provar se estes suplementos afetam ou não os riscos de desenvolver câncer e doenças cardíacas. Um grande experimento clínico – que mostra os possíveis efeitos e causas – está sendo realizado atualmente, mas os resultados ainda não foram revelados.

Segundo Lin, os estudos anteriores foram realizados com participantes caucasianos, em sua maioria. O atual, publicado no American Journal of Epidemiology, incluiu um grande número de pessoas de origem latina ou japonesa. Ela diz que isso mostra que a ausência de ligação entre os suplementos e a diminuição dos riscos foi mantida em diferentes etnias.

Segundo Lin, a melhor forma de reduzir os riscos de câncer e doenças cardíacas é com alimentação saudável e prática de exercícios.

* Por Leigh Krietsch Boerner

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