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Médico do Samu especialista em grandes eventos conta como os serviços de emergência estão se preparando para a Copa

Claus Zeefried, diretor do Samu, conta como vai se preparar para a Copa
Edu Cesar/Fotoarena
Claus Zeefried, diretor do Samu, conta como vai se preparar para a Copa
Claus Zeefried nunca trabalhou em uma Copa do Mundo, mas foi o cérebro por trás da organização de serviços de socorro médico da cidade de São Paulo em inúmeras finais de campeonatos nacionais, corridas da Fórmula 1 e eventos de massa como a Parada Gay e o Réveillon da Avenida Paulista.

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Em entrevista ao iG Saúde, o diretor de divisão de pesquisa e modernização do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) paulistano conta como a sua equipe se prepara para, literalmente, entrar em campo na Copa de 2014.

iG Saúde : Como os serviços de socorro médico precisam se organizar para a Copa de 2014?

Claus Zeefried : Temos de estar preparados para tudo que acontece dentro de fora dos estádios. Desde o atendimento a um atleta que passa mal em campo até um ataque terrorista. Existem protocolos internacionais de atendimento e atuação para todas essas hipóteses e conhecemos eles. A preparação é para saber atuar em situações que nós esperamos que não aconteçam. Isso, claro, sem descuidar da rotina normal da cidade. Na hora das partidas entre as seleções, os motoqueiros vão continuar caindo no trânsito, as pessoas vão continuar tendo paradas cardíacas em suas casas e vão precisar do Samu. Por isso, além da nossa rede, também precisaremos do apoio das estruturas particulares de atendimento de urgência e emergência.

iG Saúde : Com sua experiência em eventos internacionais, o senhor consegue projetar quais serão as ocorrências mais prováveis e frequentes do evento?

Claus Zeefried : Imagino que o perfil de atendimento será parecido com o que fazemos na Fórmula 1. Em geral, são pessoas que não falam português, algumas já portadoras de doenças crônicas (como o diabetes) e que esquecem de tomar seus medicamentos de uso contínuo. Também socorremos muitos que abusam de bebida alcoólica e as pessoas que ficam muito tempo em jejum e passam mal. Para um público médio de 40 mil em uma corrida da Fórmula 1, realizamos cerca de 400 atendimentos. Em 97% dos socorros, solucionamos o atendimento no próprio local, sem a necessidade de levar a vítima a um hospital. Mas pode acontecer de tudo. Até mesmo uma mulher entrar em trabalho de parto em plena arquibancada. Nesses eventos as pessoas compram os ingressos com muita antecedência e não querem perder a oportunidade de assistir aos jogos. Quem engravida nesse meio tempo, por exemplo, dificilmente vai desistir de ir ao estádio ver a Seleção jogar.

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