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Pequeno estudo conseguiu reduzir cicatriz e regredir danos no músculo do coração

Ampolas de células-tronco em banco de células: esperança de regeneração do músculo cardíaco
Getty Images
Ampolas de células-tronco em banco de células: esperança de regeneração do músculo cardíaco
A promessa de que a terapia com células-tronco cure tecidos danificados pode estar um pouco mais perto da realidade.

Em um estudo realizado com 25 pessoas, danos ocasionados por um ataque cardíaco foram revertidos em pacientes tratados com as próprias células-tronco. As células-tronco cardíacas regrediram os danos no músculo danificado do coração e, um ano depois, reverteram as cicatrizes neste tecido.

Até agora, a melhor ferramenta para minimizar os danos de um ataque cardíaco tem sido limpar cirurgicamente as artérias obstruídas.

"Com esse tratamento, a cicatriz é dissolvida e substituída por músculo cardíaco vivo. Essa ‘regeneração terapêutica’ tem sido o Santo Graal da terapia celular, mas nunca havia sido feita antes. Agora parece que nós conseguimos exatamente isso”, disse o autor do estudo Eduardo Marban, diretor do hospital Cedars-Sinai Heart Institute, em Los Angeles (EUA).

No entanto, especialistas advertem que os resultados são preliminares e o tratamento está longe de ser usado de forma generalizada entre os sobreviventes de ataques cardíacos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (14) na versão on-line do jornal “The Lancet”, envolveu 25 pacientes com idade média de 53 anos que haviam sofrido um ataque cardíaco. Dezessete foram submetidos a injeções de células-tronco, enquanto oito receberam cuidados padrão, incluindo medicação e exercícios.

Criação

As células-tronco foram obtidas utilizando um procedimento minimamente invasivo, de acordo com os pesquisadores do Cedars-Sinai e do Johns Hopkins Hospital, em Baltimore. Os pacientes receberam uma anestesia local e, em seguida, um cateter foi introduzido através de uma veia do pescoço até o coração, onde uma pequena porção do músculo foi retirada.

A amostra forneceu tudo o que os investigadores precisavam para gerar novas células – 12 a 25 milhões –, que foram então transplantadas de volta para o paciente depois do ataque cardíaco, em um segundo procedimento.

Um ano após o procedimento, a cicatriz havia diminuído pela metade: de 24% para 12% do coração, segundo a equipe. Os pacientes que receberam o tratamento padrão não tiveram redução da cicatriz. A lesão muscular inicial e o tecido cicatrizado foram medidos por meio de exames de ressonância magnética.

Adversidades

Após seis meses, quatro pacientes no grupo de células-tronco sofreram eventos adversos graves em comparação com apenas um paciente no grupo-controle. Em um ano, mais dois pacientes de células-tronco tiveram uma complicação grave. No entanto, apenas um evento – um ataque cardíaco – poderia ter sido relacionado com o tratamento, dizem os coordenadores do estudo.

Em um comunicado à imprensa, Marban disse que "os efeitos são substancial e surpreendentemente maiores em seres humanos do que em testes com animais."

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Outros especialistas foram cautelosamente otimistas. Bernard Gersh, professor de medicina da Mayo Clinic, não fez parte da investigação, mas está familiarizado com as descobertas.

"Este estudo demonstra que é seguro e viável administrar essas células-tronco. Os resultados são interessantes e encorajadores", disse ele.

Outro especialista disse que, embora provocador e promissor, os resultados ainda estão na fase 1 de pesquisa.

"É um estudo de prova de conceito", avaliou o cardiologista intervencionista Thomas Povsic, professor assistente de medicina na Duke Clinical Research Institute, em Durham (EUA).

Chip Lavie, diretor-médico de Reabilitação Cardíaca e Prevenção no Instituto John Ochsner Heart and Vascular, em Nova Orleans, também avaliou os resultados. Para ele, apesar do estudo ter demonstrado que as células-tronco reduzem a cicatriz e aumentam a área do tecido do coração em pacientes cardíacos, não demonstrou uma redução no tamanho do coração ou qualquer melhoria na capacidade do órgão de bombear sangue ao corpo.

"Isso não melhorou a fração de ejeção, que é uma medida muito importante usada para definir a capacidade de bombeamento do coração em geral", Lavie observou.

"Certamente estudos maiores e com vários tipos de pacientes serão necessários antes de estarmos perto de uma terapia potencialmente viável para o grande número de sobreviventes de ataques cardíacos", afirmou.

Povsic concorda que mais estudos são necessários. "O próximo passo é mostrar que isso realmente pode ajudar pacientes de forma significativa, evitando a morte ou curando-os”, disse.

Leia: Células-tronco são esperança de cura para diversas doenças

Ainda não está claro qual será o custo disso, acrescentou Povsic. "O quanto a sociedade vai estar disposta a pagar vai ser baseado em quão benéfica essa terapia pode ser. Regenerarar um coração e evitar um transplante pode poupar muito dinheiro."

Marban, que inventou o tratamento com células-tronco, disse que a terpia não iria substituir a cirurgia de bypass ou angioplastia.

"Ela pode ser útil no tratamento de lesões irreversíveis, que podem persistir após os procedimentos."

Em uma estimativa grosseira, ele acredita que, se os ensaios maiores – de fase 2 – forem bem sucedidos, o tratamento poderá estar disponível para o público em geral em 2016.

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