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Médicos afirmam que a doença pode ser controlada sem comprometer a prática esportiva

“O hipotireoidismo pode dificultar a perda de peso, embora seja menos comum fazer a pessoa engordar. Ganha-se peso com hábitos alimentares inadequados”, afirma o endocrinologista Mário Vaisman, membro do departamento da tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

A doença consiste na produção deficiente dos hormônios da glândula tireoide (T3 e T4), localizada no pescoço e responsável pelo funcionamento de diversos órgãos. Ela foi citada por Ronaldo, ex-atacante do Corinthians, como um dos motivos da dificuldade enfrentada pelo atleta para emagrecer.

“Quatro anos atrás no Milan, descobri que sofria de um distúrbio que se chama hipotireoidismo. Um distúrbio que desacelera o seu metabolismo, e que para controlar teria de tomar hormônios que no futebol não são permitidos. Seriam um doping. Muitos devem estar arrependidos de tanta chacota do meu peso, dos comentários do meu peso, mas não guardo mágoa de ninguém, e tenho de explicar isso no último dia da minha carreira” , afirmou o ex-jogador, ao anunciar o fim de sua carreira como jogador profissional.

A revelação emocionada contraria o depoimento dado pelo médico corintiano Joaquim Grava ao iG , em setembro do ano passado. Ele havia dito que o então jogador não sofria nenhuma disfunção da tireoide. “É balela. Você acha que se fosse esse o problema do Ronaldo a gente não trataria? Não tem nada de tireoide” , afirmara o médico.

Doping

“Fiquei horrorizado com o que ouvi no rádio”, indigna-se Vaisman. O médico esclarece que o tratamento contra hipotireoidismo não caracteriza doping. “É apenas uma reposição fisiológica. E, se feita da maneira correta, não causa doping”, diz ele.

A endocrinologista Gisah Carvalho, presidente da Sbem (regional Paraná) conta que o tratamento contra hipotireoidismo é feito com reposição hormonal. “O paciente só vai repor o que estava faltando. As dosagens repõem somente a quantidade necessária. O hipotireoidismo quando tratado não compromete nenhuma atividade física ou intelectual. Não é empecilho para qualquer tipo de função”, explica.

Essa reposição é feita com hormônios artificiais, que devem ser tomados constantemente. O uso geralmente é diário.

Sintomas

Sem a reposição hormonal, o portador de hipotireoidismo pode ter cansaço, fraqueza, cãibras musculares, lentidão, prisão de ventre e unhas fracas. O quadro ainda pode evoluir para falta de ar, constipação intestinal, rouquidão, inchaço e ganho de peso.

“A relação da doença com a obesidade é pequena, acontece em poucos casos. O ganho de peso não é tão grande porque se retém mais polissacarídeos (carboidratos), não gordura”, afirma Vaisman.

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