Tamanho do texto

Eliana Zagui lança livro sobre a experiência de ser a paciente com paralisia mais antiga a permanecer internada no Clínicas de SP

Eliana aprendeu a pintar e a escrever com a boca. Lança hoje o seu livro Pulmão de Aço
Edu Cesar/Fotoarena
Eliana aprendeu a pintar e a escrever com a boca. Lança hoje o seu livro Pulmão de Aço

Com uma caneta presa à boca Eliana Zagui escreveu sua história. Primeiro preencheu folhas de cadernos. Depois, escolheu as letras no teclado do computador. Agora ela quer contá-la para o mundo.

São 38 anos de vida, 37 deles passados no leito do Hospital das Clínicas de São Paulo, transformados em páginas que revisitam a paralisia infantil. A doença a deixou com a capacidade de mexer apenas os olhos quando tinha apenas 1 aniversário completo. Mas a imobilidade não a poupou de uma trajetória cheia de conquistas.

+VEJA A HISTÓRIA COMPLETA DE ELIANA

Leia: Você sabe o que é poliomielite, a paralisia infantil?

Eliana Zagui é a paciente mais antiga do maior hospital da América Latina. É também uma das pessoas que ajudou a humanizar as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) brasileiras. A criança que não abdicou dos estudos mesmo na cama hospitalar, lembram os médicos mais antigos do HC. A adolescente que se apaixonou pelo filme Dirty Dancing e assistiu 18 vezes, conta ela ao citar seu passatempo preferido. A jovem que virou artista plástica e tem mais de 40 quadros pintados. A adulta que prestou Enem e sonha cursar psicologia. A escritora que lança hoje (10) no Hospital das Clínicas, o livro Pulmão de Aço (Ed. Belaletra) – em referência ao respirador mecânico que lhe trouxe a sobrevivência – com todas essas passagens.

Os capítulos – espalhados por 200 páginas – trazem histórias, fotos e desenhos. Alguns deles mostram como foi passar a infância no hospital. Primeiro, ao lado de outras seis crianças que, assim como Eliana, eram vítimas da poliomelite (o nome da paralisia infantil).

“Adorávamos as festas juninas, quando colocavam bandeirinhas no teto e nos vestiam com roupas caipiras”, lembrou Eliana em entrevista ao iG Saúde em setembro do ano passado, quando a publicação estava chegando na fase final.

Dos seis pacientes que faziam parte da “ala da pólio”, apenas Eliana e Paulo Henrique Machado sobreviveram. Paulo, inclusive, chegou dois anos antes de Eliana ao leito e sempre foi um entusiasta da escrita da companheira de quarto, que virou “sua irmã mais nova”, conta ele, cheio de orgulho. Hoje estará a postos para o lançamento do Pulmão de Aço, cuja produção acompanhou de perto. Ele sonha com o dia em que a amiga estará na primeira fila da estreia do filme que ele vai produzir.

Especial: A vida antes e depois da UTI

Veja a galeria com imagens das fotos do livro Pulmão de Aço:

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.