Nascem bebês de proveta que passaram por exame genético

Técnica amplia as chances de gestação saudável em casos de fertilização in vitro

Reuters | 18/10/2010 10:38

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Duas mulheres pariram bebês saudáveis gerados a partir de óvulos submetidos a um completo exame genético antes da implantação no útero, numa nova técnica que pode ampliar as chances de sucesso da fertilização in vitro.

Gêmeas nascidas em junho, na Alemanha, e um menino que nasceu em setembro, na Itália, são os primeiros bebês de proveta beneficiados pela chamada "hibridização genômica comparativa por microarranjo", disseram cientistas europeus na sexta-feira.

A técnica procura defeitos genéticos em óvulos e embriões, o que aumenta as chances de uma gravidez saudável em casos de fertilização in vitro (FIV).

Esses casos foram parte de uma análise de "prova de princípio", destinada a avaliar se esse método para o exame dos oócitos e embriões antes da transferência pode ajudar na taxa de sucesso da fertilização em laboratório.

"Aprendemos em mais de 30 anos de FIV que muitos embriões que transferimos têm anormalidades cromossômicas", disse em nota Luca Gianaroli, participante do estudo e presidente da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (Eshre).

Segundo ele, dois terços dos embriões implantados nas FIVs não resultam em uma gravidez satisfatória, muitas vezes por causa dessas anomalias.

"Todo o mundo da FIV tenta há mais de uma década encontrar uma forma eficaz de procurar essas anormalidades. Agora temos a tecnologia (...) e esperamos que isso finalmente forneça um meio confiável de avaliar o status cromossômico dos embriões que transferimos", disse ele.

A embriologista Cristina Magli, também participante do estudo, disse em nota que os três bebês e suas mães estão "indo muito bem em termos de peso e desenvolvimento geral".

Os cientistas disseram que o próximo passo é ampliar o estudo para um teste clínico internacional de larga escala, que deve começar em 2011.

Se o resultado desse estudo mais amplo for positivo, os especialistas dizem que o novo exame provavelmente será usado em mulheres com mais de 37 anos que se submetem a FIVs, ou em mulheres com histórico de aborto espontâneo ou que passaram por tentativas frustradas de fertilização in vitro.

Todas essas condições das candidatas a mães estão associadas a incidências exacerbadas de anomalia cromossômica nos embriões.

Um em cada seis casais no mundo todo sofre algum tipo de problema de infertilidade ao menos uma vez durante a época reprodutiva de suas vidas. A Eshre estima que 9 por cento das mulheres com idades de 20 a 44 anos tenham atualmente problemas de infertilidade com duração superior a 12 meses.

 

* Por Kate Kelland

 

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