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Infectologista revela que sem o extermínio do mosquito, a transmissão da doença não terá fim e as pandemias serão cíclicas

Em média, a cada quatro anos, o número de casos de dengue no Brasil sofre uma explosão, cresce consideravelmente, provocando alerta no governo e na população. A notícia, porém, não representa uma novidade para os especialistas. Segundo o infectologista do Hospital Albert Einstein, Artur Timerman - referência nacional na área - esse surto já é esperado. Mostra que o mosquito não foi exterminado, continua na natureza, disseminando um tipo diferente do vírus que foi constatado nos anos anteriores.

“É um comportamento biológico comum nos casos de dengue. O vírus sofre mutações e leva de três a 10 anos para disseminar um novo tipo da doença. Após um surto, ocorre uma queda natural de contaminação. As pessoas ficam imunes e o número de infectados reduz. Esse “boom” representa que a vigilância sanitária está aquém do necessário. Sem o extermínio do mosquito a dengue será eterna e as pandemias, cíclicas.”

A novidade da pandemia, que teve os dados referêntes a 2010 divulgados nesta terça-feira pelo MInistério da Saúde, é que ela foi provocada por um sorotipo que não é constatado no Brasil há 15 anos, ressalta Timerman. “Se o governo não focar em reduzir a presença do mosquito e educar a população, vamos pagar um tributo alto por conta da dengue durante muitos anos. Campanha não resolve, é preciso ações severas e conscientização", assevera.

O reaparecimento de um vírus aumenta os focos de contaminação. Jovens, crianças e adultos passam a representar grupos de risco. “Quem se contaminou com a doença há 15 anos está imune, o restante da população não.”

Apesar de estar diretamente relacionada com a questão do saneamento básico, a doença é democrática e não escolhe classe social. Timerman revela que recebe pacientes de todas as regiões de São Paulo, independe da qualidade de vida ou situação socioeconômica.

“As condições para a proliferação do mosquito são mais favoráveis nas periferias, mas a doença se propaga rapidamente. Além disso, altas temperaturas e umidade formam um ambiente perfeito.”


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