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Dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta terça mostram que região Norte é a exceção

A taxa de natalidade no Brasil está em queda. O total de nascimentos no País caiu 10%, passando de 3,2 milhões em 2000 para 2,9 milhões em 2008. Os dados fazem parte da pesquisa Saúde Brasil 2009, realizada por especialistas de seis universidades, e divulgada anualmente pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Miinistério da Saúde.

Os números mostram que houve queda em todas as regiões, com exceção da região Norte, onde houve aumento de 8,2%. A maior redução por região ocorreu no Sul do País (17,7%), seguida da região Sudeste (13,7%). Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, a queda foi menor: 4,6% e 5,2%, respectivamente.

De acordo com o estudo, a queda se deve principalmente à redução na quantidade de adolescentes grávidas . Os partos de mães jovens (entre 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos), principalmente, tiveram maior redução. Entre as adolescentes, em 2000, foram registrados 722 mil partos. Em 2008, o número caiu para 567 mil. Já na faixa etária de 20 a 24 anos, houve 999 mil partos registrados em 2000 e, em 2008, 835 mil. Os dados comprovam, no entanto, que a quantidade de adolescentes brasileiras que têm filhos ainda é alta.

“A realidade está começando a mudar. A redução da fecundidade foi de 21,5% entre a faixa etária mais jovem e 16,4% nas adultas jovens. Desde 2003, a idade média das mães no parto aumentou, revertendo a tendência de crescimento da fecundidade nas mulheres muito jovens observada nas décadas anteriores”, afirma o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde, Otaliba Libânio Neto.

A idade média das mães brasileiras aumentou de 25,1 anos em 2000 para 25,7 em 2007. No Sul e Sudeste, a proporção de nascimentos de mães com idades entre 30 e 39 anos são superiores às das demais regiões do País.

Mortes por doenças crônicas

Apesar de o Brasil ter registrado aumento do número de casos de doenças crônicas, houve queda na mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis (que são as doenças cardiovasculares, as respiratórias crônicas, os cânceres e o diabetes) de 17% nos últimos 11 anos, de acordo com o estudo. O grupo representa 67% do total de óbitos no País. Em 2007, foram 705,5 mil vítimas dessas doenças. 

As mortes por doenças respiratórias (enfisema pulmonar, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, asma) foram as que mais diminuíram nos últimos anos: uma média de 2,8% ao ano na taxa de mortalidade. Para Otaliba Libânio, a diminuição do tabagismo no País é um dos responsáveis por essa queda. De 1989 a 2009, o percentual de fumantes na população caiu de 35% para 16,2%. 

“O Brasil é um dos países com maior êxito na campanha de combate ao tabagismo, registramos uma queda expressiva em um curto período de tempo”, afirma. As doenças cardiovasculares concentram 29,4% do total de óbitos declarados, a principal causa de mortes no Brasil, com 308 mil registros em 2007. A taxa de mortalidade nesses casos foi de 26%, com redução média de 2,2% ao ano. 

Para Otaliba Libânio, o maior nível de instrução da população e as políticas de prevenção à saúde, como a redução do tabagismo, a promoção de alimentação saudável e o estímulo à atividade física contribuem para essas reduções. 

Diabetes

As mortes por diabetes não seguiram a tendência da mortalidade por doenças crônicas. Elas aumentaram em 10% no mesmo período, especialmente no Nordeste, passando de 30 para 33 por 100 mil habitantes no período analisado. “O principal fator associado é a mudança na alimentação do brasileiro, que leva ao sobrepeso, afinal o diabetes tem relação direta com a obesidade ”, comenta Libânio. 

Por causa disso, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou que entregará à presidenta eleita, Dilma Rousseff, um plano de enfrentamento à obesidade. Ele conterá ações de prevenção, como promoção de atividade física e de alimentação saudável, como atividades em escolas. “As mudanças no padrão alimentar e o aumento do sedentarismo no Brasil são preocupantes. Estamos sentados em uma bomba-relógio, que, em 20 anos, vai declarar sua complexidade e contundência”, garantiu o ministro.

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