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População lida diariamente com riscos elevados de infarto e contaminação viral. Diabéticos, hipertensos e cardíacos sofrem mais

Submetido a uma situação de altíssimo estresse, como ocorreu nesta terça–feira, 21, com muitos paulistanos, presos durante 60 minutos em um vagão do metrô que percorria o trecho entre a estação Parque Dom Pedro II e Sé, na região central da cidade, sentido Barra Funda, o organismo reage automaticamente, provocando uma espécie de surto de adrenalina.

A pressão arterial sobe, o coração bate acelerado, a falta de ar e o calor crescente provocam queda na taxa de açúcar no sangue. Os efeitos equivalem à reação provocada no corpo durante uma maratona, compara Cláudio Miguel Rufino, clínico geral da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp.

Quem tem o mínimo de condicionamento físico consegue suportar a situação e, ao abrir das portas do vagão, retomar a rotina levando para casa apenas o risco de contrair uma virose, que, nesses ambientes, passa ser 15 vezes maior, reforça o especialista.

Os impactos à saúde de quem enfrenta problemas diários e estresse com o transporte público são numerosos. Os prejuízos são maiores para quem possui alguma doença crônica, mas a população geral também é afetada. A chance de infarto passa a ser elevada, revela José Luis Capalbo, superintendente médico do Hospital Nove de Julho. “Parada de trem não provoca infarto, mas a reação ao estresse de tal situação aumenta o risco de sofrer um ataque cardíaco em qualquer pessoa.”

Cardiopatas, hipertensos e diabéticos dificilmente saem ilesos na simples tentativa de se locomoverem pela cidade, após problemas técnicos no metrô, trens ou ônibus. Nos diabéticos, o pânico provocado por tais ocasiões aumenta a sensibilidade da insulina. O perigo, nesses casos, revela o especialista, não é aumentar a taxa de glicose, mas sofrer uma glicemia - o organismo joga mais glicose pra dentro das células, provocando falta dessa substância no sangue levando a desmaios. Para evitar problemas mais graves, o médico aconselha aos pacientes a adarem sempre com uma identificação do tipo de diabetes que possuem, junto aos documentos.

"Os diabéticos precisam andar com uma identificação da doença. Em casos de desmaios, uma bala, ou algum alimento doce ajudam a recuperar o organismo, mas, muitas vezes, é preciso utilizar a medicação de tratamento diário."

Informação e calma

Na avaliação de Capalbo, os transportes públicos deveriam ter orientações mais claras sobre procedimentos de emergência. “Ninguém morrerá asfixiado em um túnel de trem ou metrô. Não existe possibilidade de faltar oxigênio. O ambiente, embora não seja favorável, dá condições de sobrevivência. O desespero frente a tal cenário é que provoca transtornos maiores. Faltam orientações de como a população deve proceder.”

Embora seja difícil dominar o pânico, principalmente em grandes aglomerações, a respiração pausada e a calma fazem com o que o corpo consuma menos energia, diminuindo o impacto do estresse na saúde mental e física.

Além do equilíbrio emocional, os médicos listam algumas atitudes simples que ajudam a contornar possíveis desmaios e outras reações manifestadas pelo o organismo em situações de estresse elevado:

- Afrouxar as roupas
- Deitar-se ou sentar
- Procurar mais espaço para respirar melhor
- Evitar segurar peso
- Ingerir algo doce – bala, chocolate
- Não sair de casa em jejum
- Café da manhã reforçado ajuda a manter o organismo equilibrado
- Hidratar-se constantemente, andar como uma garrafinha de água na bolsa


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