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WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, encerrou nesta sexta-feira sua campanha em favor da reforma do sistema de saúde com um comício em que pediu novamente o apoio popular à iniciativa. Segundo o líder americano, neste fim de semana ocorrerá um voto histórico.

Obama esteve nesta sexta-feira na Universidade George Mason em Fairfax (Virgínia), nas proximidades de Washington, promovendo seu quarto comício em dez dias pelo projeto, que é sua principal prioridade doméstica e no qual está em jogo seu poder político.

"Em poucos dias, uma luta que durou um século culminará em um voto histórico", declarou o líder americano, referindo-se à consulta na Câmara de Representantes esperada para o domingo.

AP
Obama em Virgínia

Obama em evento em universidade da Virgínia

A reforma do sistema de saúde americano procura dar cobertura a cerca de 30 milhões de americanos que atualmente não possuem seguro médico.

"Quando encaramos essas decisões no passado, esse país escolheu estender sua promessa para cada vez mais gente", defendeu Obama diante de um público jovem que não chegou a lotar o pavilhão esportivo onde ocorria o ato.

O presidente comentou as críticas que recebeu nos programas de análise política e assegurou que sua defesa ao projeto "não tem nada a ver com a política" ou com as pesquisas.

"Não sei que impacto político terá a aprovação da reforma da saúde. Mas sei que é o correto a fazer", acrescentou.

Obama citou o presidente Theodore Roosevelt para assegurar que "uma luta agressiva pelo que é justo é o esporte mais nobre que há no mundo". Para ele, se a votação fracassar, "a indústria de seguros médicos continuará atuando sem controle algum".

"É um debate que não só se refere ao custo de nosso sistema de saúde, mas ao caráter de nosso país, sobre se podemos enfrentar os desafios de nossa época e se continuamos sendo um país que dá a seus cidadãos a oportunidade de ver seus sonhos cumpridos", acrescentou.

Resultado da votação

O resultado da votação ainda é incerto, pois a maioria democrata reconhece que ainda não conta com os 216 votos necessários na Câmara para aprovar a medida.

No entanto, nos últimos dias, vários congressistas que até pouco tempo atrás se opunham ao projeto se mostraram favoráveis à reforma. Essa mudança de opinião trouxe otimismo aos dirigentes democratas e à Casa Branca, que, por meio de ligações telefônicas e conversas diretas, buscam cooptar voto a voto para a maioria necessária.

O líder da maioria democrata na Câmara de Representantes, o congressista Steny Hoyer, assegurou nesta sexta-feira que, no momento da votação, seu partido contará com o número suficiente de "sim" para levar adiante a iniciativa.

Obama anunciou na quinta-feira que adiaria por três meses uma viagem que faria à Ásia. Pelos planos iniciais, ele já deveria ter começado a viagem nesta semana, mas já a havia adiado antes para poder estar presente no final do processo da reforma.

Nos últimos dias, segundo a Casa Branca, o líder teve conversas pessoais com vários congressistas para pressioná-los a aprovar o projeto. No sábado, Obama prevê se reunir com os democratas da Câmara de Representantes para promover a reforma.

A Câmara de Representantes deve realizar duas votações no domingo. Além da reforma da saúde, também será submetido um projeto de lei que introduz uma série de emendas para satisfazer os congressistas reticentes.

Esse segundo projeto, ao contrário do primeiro, que será transferido diretamente a Obama para aprovação, demandará o sinal verde do Senado, em uma votação que poderia ocorrer ao longo da próxima semana.

No Senado, os líderes democratas têm a intenção de submetê-lo ao procedimento conhecido como "reconciliação", reservado em geral para medidas orçamentárias que permite aprovar a iniciativa por maioria simples, de 51 votos, em vez dos 60 necessários segundo o procedimento ordinário.

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