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Organização Mundial de Saúde revê as indicações anteriores, que datavam de 2006; pacientes devem receber remédios mais cedo

As novas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) na luta contra a transmissão do HIV e contra a Aids, publicadas nesta segunda-feira, em Viena, recomendam que se comece o tratamento num nível mais baixo da infecção, apesar dos custos que isso implica.

Em suas últimas diretrizes, que datam de 2006, a OMS recomendava tratar os pacientes quando sua contagem de células CD4, que define o nível imunológico, tivesse chegado a 200, ou menos, por mm3 de sangue. O índice normal é de 1.000 a 1.500.

"Todos os adultos e adolescentes, incluindo as mulheres grávidas soropositivas, que apresentam um nível de CD4 de 350 células por mm3, devem iniciar um tratamento antirretroviral, haja ou não sintomas clínicos", indica a OMS em um texto de mais de 150 páginas.

A organização já havia lançado esta recomendação em novembro passado, às vésperas do Dia Mundial Contra a Aids.

A OMS sugere também que os pacientes que apresentarem sintomas importantes comecem o tratamento, qualquer que seja seu nível de CD4.

"As novas recomendações podem aumentar o número de pessoas elegíveis para um tratamento e, por isso, aumentar os custos", destaca a OMS, que admite que essas recomendações não podem ser aplicadas imediatamente por todos os países.

Segundo as estimativas, colocar em tratamento todos os pacientes que tiverem um nível de 350 CD4 ou menos deverá "aumentar em 49% o número de pessoas tratadas", fazer baixar o número de mortes em 20% até 2015 e eventualmente reduzir a transmissão do vírus", destaca a OMS.

Cerca de 5,2 milhões de soropositivos recebiam tratamento contra o HIV até o final de 2009, para cerca de 10 milhões que precisavam. Esta nova diretriz fará passar para 15 milhões o número de pessoas para as quais se recomenda o início do tratamento.

Com um efeito preventivo evidente: "Como o tratamento reduz o nível do vírus nos corpos, haverá menos possibilidades de que os soropositivos contagiem seus parceiros", enfatizou Gottfried Hirnschall, diretor para Aids na OMS.

Da mesma forma, o impacto sobre a coinfecções será muito importante com "uma redução de 54 a 92% dos casos de tuberculose em pacientes sob tratamento", recorda a OMS.

O ex-presidente americano Bill Clinton discursou nesta segunda sobre os recursos destinados ao combate à Aids, defendendo uma utilização mais eficaz dos fundos em um contexto de crise econômica.

"Devemos diminuir o custo da ajuda", afirmou Clinton, em um discurso lido durante na 18ª Conferência Internacional sobre a Aids, que está sendo realizada em Viena.

"Em muitos países, muito dinheiro vai para muitas pessoas que assistem a muitas reuniões, que tomam muitos aviões para fazer muita assistência técnica", enfatizou o ex-presidente, assegurando que está pondo em ordem os programas em sua própria fundação.

Clinton também defendeu o presidente Barack Obama, acusado por ativistas no domingo de voltar atrás em seus compromissos em favor da luta contra a Aids, afirmando que ele é "um homem que mantém suas promessas".

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