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Internada em Brasília, Vanessa não está contaminada pela superbactéria, mas foi rejeitada por hospitais apenas pela suspeita

“Graças a Deus, minha sobrinha melhorou sem que precisasse da UTI, porque poderia morrer à míngua. Foi um milagre porque o médico chegou a me dizer que as chances de ela sobreviver, se conseguisse uma vaga em UTI, eram de 20%. E ela está melhor.” O desabafo de Maquinei Vieira de Souza, 33 anos, é o relato de quem enfrentou uma das consequências do medo que a superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) vem causando no Distrito Federal.

Na última sexta-feira, Marquinei contou ao iG a história de sua sobrinha Vanessa Vieira de Souza, de 21 anos. Ela aguardava uma vaga na UTI do Hospital de Base de Brasília desde a última quarta-feira. Havia sido operada após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral), mas o hospital não tinha leitos para lhe oferecer. Sem sucesso, a família tentou vagas em outras unidades de saúde, que se recusavam em recebê-la.

Segundos parentes, o medo de receber pacientes que pudessem estar contaminados pela superbactéria era a justificativa. “Eles atendem normalmente, mas, quando falamos que a Vanessa está internada no Hospital de Base, mudam completamente. Dizem que não podem aceitar pacientes por causa do surto da superbactéria”, contou a tia de Vanessa ao iG, Rosileide Vieira de Souza, 31 anos.

Em Brasília, 18 mortes foram confirmadas atribuídas à infecção pela KPC. Só este ano, 183 pessoas foram identificadas como portadores da bactéria. Vanessa não é um deles, segundo a família. Na manhã de segunda-feira, a estudante melhorou. Saiu da sala de recuperação no 2º andar do hospital, onde estava desde que passou pela cirurgia, e foi para uma enfermaria. “Já pode até receber visitas”, comemora o tio Marquinei.

“Olha essa situação dos hospitais aqui em Brasília está uma vergonha. É briga política, falta de material e, agora, até os hospitais particulares não querem receber pacientes que venham do Hospital de Base por causa da bactéria. E faltam leitos mesmo. Tem muita gente na espera morrendo sem atendimento”, lamentou.