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Ministério da Saúde e fabricante da vacina têm versões conflitantes sobre as causas da interrupção do abastecimento

Os estoques de vacina contra raiva humana estão abaixo do nível de segurança em vários pontos do País. Alegando sucessivos problemas com o laboratório fornecedor - o Instituto Butantã -, o governo não fez a compra programada para 2010.

Para não ficar sem o produto, Estados e municípios passaram a fazer remanejamento de estoques: quem tem maior quantidade cede parte das doses para locais onde o problema é mais grave.

O consumo médio mensal de vacina antirrábica no País é de 120 mil doses. Além de ser usado em mordidas, o produto é aplicado em profissionais mais expostos à contaminação pelo vírus que provoca a doença, como veterinários. Em postos de Brasília, o produto - que não é o mesmo dado aos animais - é usado só nos casos em que não há possibilidade de se observar o animal agressor. No Rio Grande do Sul, a aplicação também ficou mais rígida.

O Ministério da Saúde não informa quanto tempo a vacina vai durar no País nem em que locais o problema é mais grave. Mas, em entrevista por e-mail, a pasta admitiu que, na data da última entrega do produto, 28 de outubro de 2009, o estoque seria suficiente para aproximadamente seis meses - prazo que já terminou. Os Estados e municípios estão trabalhando com os estoques remanescentes.

O Ministério da Saúde e o fabricante da vacina apresentam versões conflitantes sobre as causas da interrupção do abastecimento. A pasta informa também que negociações para contrato neste ano tiveram de ser suspensas por causa de dívidas do Butantã com outros órgãos públicos. Já o presidente da Fundação Butantã, José da Silva Guedes, faz um relato diverso. Guedes conta que, no início deste ano, o Butantã encaminhou ao ministério uma carta com a descrição dos produtos disponíveis do instituto para este ano, mas não houve resposta.

Ele admite que, a partir de abril, houve atraso na prestação de contas, resolvido há poucos dias. "Mas, entre janeiro e abril, não havia nenhum impedimento para assinatura de contratos. Mesmo assim, não fomos procurados", completa. Guedes conta que somente em maio o Butantã recebeu um e-mail do Ministério da Saúde, solicitando, em caráter de urgência, 2,3 milhões de doses de vacina antirrábica. "Assim que o pedido foi feito, providenciamos a compra com o laboratório Sanofi." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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