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Novo índice da ONU analisa a percepção da população sobre os valores humanos. Rio Grande do Sul tem o melhor resultado no ranking

Em uma escala de 0 a 1, na qual o 1 é o melhor resultado, o Brasil obteve a nota de 0,594 no Índice de Valores Humanos, indicador criado e divulgado pela primeira vez nesta terça-feira, dia 10, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para nortear políticas públicas de desenvolvimento no País. Baseado nas experiências da população, o IVH mostra que a percepção dos brasileiros sobre a saúde é a pior na comparação com a educação e o trabalho, nesta ordem, valores humanos que compõem o indicador das Nações Humanas. 

Veja o ranking completo:

Fonte: Pnud

O IVH procura trazer “subjetividade objetiva” a índices quantitativos, segundo o economista chefe do Pnud, Flávio Comim. “É um indicador de processos e não de resultados. Esperamos que a partir das percepções os governos e os cidadãos criem políticas públicas para resolver os problemas levantados”, explica. 

Na comparação entre regiões, o Sul e o Sudeste apresentaram o maior grau de satisfação em relação aos valores humanos, com índice de 0,62, enquanto o Norte ficou com o pior resultado: 0,50. O Rio Grande do Sul lidera o ranking dos Estados onde a população tem a melhor percepção, de 0,659, seguido por Minas Gerais, com 0,650, enquanto a Bahia amarga a última colocação, com 0,461. 

Na análise segmentada por renda, observa-se que aqueles que ganham entre 10 e 20 salários mínimos estão mais satisfeitos, com média de 0,71, seguidos pelos que recebem mais de 20 salários mínimos (0,65). O pior resultado pertence aos brasileiros com renda de até um salário mínimo, índice inferior ao dos que estão desempregados (0,61). 

“Uma das hipóteses que podem ter levado a este resultado é que aqueles que estão desempregados têm mais tempo para cuidar da saúde e da educação que aqueles que estão no mercado de trabalho ganhando até um salário mínimo, o que pode refletir numa melhora dos outros dois índices”, avalia o professor doutor titular da PUC-SP e da USP, especialista em relações do trabalho e recursos humanos, Arnaldo Mazzei Nogueira. 

Para compor o IVH, a Organização das Nações Unidas (ONU) dividiu o indicador em três sub-índices, dos quais o para a saúde (IVH-S) obteve o pior resultado, com média de 0,449, abaixo do índice geral do país.

A relação da população com o trabalho é a que gerou o melhor resultado dos três rankings, com o IVH-T do Ceará de 0.964 alcançando a média que mais se aproximou de 1, a maior nota possível. A menor média atingida neste índice ocorreu no Paraná, que ficou com 0,643. A média nacional foi de 0,790. 

Na educação (IVH-E) o índice de valor humano ficou em 0,540, com o Rio Grande do Sul liderando o ranking de Estados (0,576) e com a última colocação ocupada pela Bahia, que junto com o Pará obtiveram as únicas médias abaixo 0,5 em todo o País - 0,426 e 0,486, respectivamente .

Pesquisa

O IVH foi construído a partir de entrevistas com 2002 pessoas em 148 cidades de 24 Estados. Os dados, depois de analisados, foram consistentes para retratar a realidade de apenas 12 Estados pesquisados, que formaram o ranking nacional. 

O questionário inclui perguntas relacionadas à saúde – que mediram valores de respeito, como o tempo de atendimento aos pacientes e a clareza dos profissionais da área –, ao trabalho – que observavam as relações dos indivíduos com o ambiente profissional – e à educação – que avaliaram a importância dada pela população à educação. Cada um destes três sub-itens formaram um índice e a média deles gerou o IVH.

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