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Clínico geral, pediatra e ginecologista são os especialistas mais numerosos

O número de postos médicos no País cresceu 20,5% entre 2005 e 2009, mostra a pesquisa Assistência Médico-Sanitária (AMS), divulgada nesta sexta-feira (19/11) pelo IBGE.

Entre os 636.017 postos profissionais existentes no País, mapeados por meio de localização geográfica via GPS e de questionários eletrônicos preenchidos na internet, a maioria é de clínicos gerais (16,7%), seguida por pediatras (10%), ginecologistas (9,5%) e médicos de saúde da família (6,3%). Estão ainda entre as especialidades mais numerosas os cirurgiões gerais (5,8%), ortopedistas (5,5%), cardiologistas (5,2%) e anestesistas (4,3%).

A pesquisa, feita em parceria com o Ministério da Saúde, investigou ainda a quantidade de estabelecimentos de saúde, leitos e ofertas de consultas especializadas, com o objetivo de traçar o perfil da oferta de serviços de saúde no Brasil.

Distribuição

Apesar do aumento de postos médicos identificados, o levantamento mostra que a distribuição destes profissionais no País permanece em desequilíbrio. Apesar de apenas 21% da população brasileira ter plano de saúde – segundo os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – 55,7% dos postos médicos estão concentrados no setor privado (354.536).

Outro indicador mostra o descompasso entre a oferta de médicos é o número de habitantes. Segundo os dados do IBGE, enquanto 23,7% dos brasileiros viviam nas capitais brasileiras em 2009, 40,2% dos postos médicos estavam nestes locais. Isso faz com que os outros municípios tenham como índice 2,6 postos médicos por 1000 habitantes, contra 5,6 vagas médicas neste mesmo universo de pessoas nas capitais.  Os estados do Maranhão (1,3), Pará (1,7) e Ceará (1,8) apresentam os piores resultados
na relação entre postos de trabalho médicos por 1 000 habitantes. No Amazonas (0,8), Acre (0,8) e Pará (0,9), sem considerar as informações das capitais, a proporção é menor do que 1 posto de trabalho médico por 1 000 habitantes. 

O perfil dos médicos

Percentual das especialidades mais encontradas na pesquisa

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IBGE

Plano de carreira

A dificuldade em fixar os médicos em cidades pequenas foi debatida pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em julho deste ano. Uma comissão foi montada com o objetivo de “buscar soluções” para “a dificuldade apresentada por inúmeros municípios brasileiros em fixarem profissionais de saúde em seu território”.

A má distribuição, afirma o CFM, afeta principalmente as regiões Norte e Nordeste do País, onde “expressiva parcela da população brasileira não tem acesso aos serviços de saúde”. Segundo os dados do Conselho, na região Norte, há um médico para cada grupo de 1.130 habitantes, com 13.582 profissionais aptos a atuar, registrados primariamente em conselhos de medicina da região. Para se ter uma ideia da desigualdade, na região Sul, a proporção é de um profissional para 509 habitantes, e nos estados da região Sudeste, são 439 habitantes por profissional. No Centro-Oeste, há um médico para cada grupo de 590 habitantes. Já o Nordeste conta com um médico para cada grupo de 894.

A proposta foi então criar um plano de carreira para incentivar, com salários diferenciados, os médicos que trabalham em locais mais distantes e com menor número de profissionais de saúde, aos moldes do que já é feito com os juízes. A proposta está em discussão.

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