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Pesquisa realizada por confederação de municípios mostra que 64% das cidades do Rio Grande do Sul possuem iniciativas

O Rio Grande do Sul lidera as estatísticas de investimento em ações para combate à epidemia que se tornou o consumo de crack no País. O resultado de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgada nesta segunda-feira mostra que 64,5% das cidades gaúchas possuem iniciativas para enfrentar o consumo e o tratamento dos dependentes da droga. Proporcionalmente, o maior investimento em ações nesse sentido está na região, de acordo com o estudo.

Secretários municipais de saúde de 3.950 municípios foram ouvidos pela CNM. Eles responderam a um questionário com 12 perguntas sobre o quanto o crack já era um problema para a saúde pública da região e o que estava sendo desenvolvido para enfrentá-lo. Em todos os Estados, mais de 40% dos municípios participaram do estudo. A exceção foi o Rio de Janeiro, em que apenas 16,3% dos gestores de saúde preencheram o questionário. Na região Sul, a participação dos municípios foi superior a 80%.

A pesquisa mostra que pouco mais de um terço das cidades (1.902) executa planos de combate à droga, mesmo sem ajuda financeira externa – o que, para os secretários municipais de saúde, será fundamental para garantir efetividade dos programas. Na maioria dos Estados (16), a porcentagem de municípios que se definiram estratégias nesse sentido fica entre 40% e 49%. Na região Sul, em todos os Estados a taxa é maior que 50%.

Segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o estudo não é capaz de mostrar se esses investimentos são maiores nos Estados com mais capacidade financeira e de organização ou naqueles com maior número de usuários e dependentes. A pesquisa não avaliou o consumo da droga nos municípios, o que deve ser feito a partir do ano que vem. “Esperamos que o estudo sirva para a formulação de políticas eficazes de combate, já que não temos dados suficientes sobre a droga no País e o problema já atinge a maior parte das cidades brasileiras”, afirma.

De acordo com o estudo, apenas 134 municípios já fizeram convênios com o governo federal para conseguir recursos do Plano Integrado de Enfrentamento do Crack e outras Drogas. A maioria das prefeituras (62,4%) utiliza recursos próprios para financiar os programas. Ziulkoski critica a falta de parcerias de Estados e União com os municípios para combater o consumo da droga. Para ele, as ações ainda são muito teóricas e pouco práticas.

O presidente da confederação defende a formulação de políticas que aliem o investimento em educação integral desde a creche, o estímulo ao planejamento familiar e o combate ao tráfico nas fronteiras. A CNM pretende criar um observatório para acompanhar a epidemia do crack nos municípios.


Proporção de municípios que possuem ações contra o crack por Estado

Estado Municípios pesquisados Municípios com ações % de municípios com ações
Acre 14 6 42,86
Alagoas 58 32 55,17
Amazonas 35 16 45,71
Amapá 7 2 28,57
Bahia 265 131 49,43
Ceará 117 69 58,97
Espírito Santo 54 21 38,89
Goiás 188 95 50,53
Maranhão 115 51 44,35
Minas Gerais 676 272 40,24
Mato Grosso do Sul 58 29 50
Mato Grosso 103 46 44,66
Pará 71 30 42,25
Paraíba 139 59 42,45
Pernambuco 108 52 48,15
Piauí 119 50 42,02
Paraná 340 177 52,06
Rio de Janeiro 15 7 46,67
Rio Grande do Norte 96 44 45,83
Rondônia 28 13 46,43
Roraima 7 3 42,86
Rio Grande do Sul 431 278 64,5
Santa Catarina 245 125 51,02
Sergipe 46 26 56,52
São Paulo 520 221 42,5
Tocantins 95 47 49,47
BRASIL 3.650 1.902 48,15
Fonte: Confederação Nacional dos Municípios

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