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O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, travaram nesta quinta uma disputa em torno das realizações dos governos federal e estadual na área da Saúde. Em cerimônia para entrega de 650 ambulâncias da rede de Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para 573 municípios do País, na fábrica da Rontan, em Tatuí (SP), os principais pré-candidatos à Presidência da República fizeram discursos enaltecendo suas conquistas e os benefícios que levaram à população.

AE
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o governador de São Paulo, José Serra, e o presidente Lula durante cerimônia de entrega de 650 ambulâncias
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o governador de São Paulo, José Serra, e o presidente Lula durante cerimônia na cidade de Tatuí

Saudada pelo nome por uma plateia formada por trabalhadores da empresa, Dilma, pré-candidata do PT, destacou que o evento representava o "casamento" entre o desenvolvimento social e o econômico. A ministra disse que, até o final do ano, o País contará com uma frota de 3,8 mil ambulâncias do Samu. "Sabemos o quanto é terrível você precisar de um atendimento médico e não ter acesso a ele de forma imediata", disse a ministra. "Num País que quer ser grande, a saúde também tem de ser grande", afirmou.


Dilma ressaltou ainda que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou a contratação de funcionários públicos na área da saúde e não apenas fornece ambulâncias para governos e prefeituras, mas paga o custeio do serviço. Ela aproveitou para fazer afagos aos prefeitos do País. "Os prefeitos e prefeitas são elementos fundamentais para que o Brasil cresça. O governo federal não consegue levar sozinho essa política generosa que é implantar o Samu e dar cobertura para 100% dos brasileiros", reconheceu.

"Achamos que é importante não só dar a ambulância, mas participar do custeio. Eu queria lembrar que aqui, em São Paulo, o governo federal participa também do custeio, ou seja, tira dinheiro do bolso e ajuda a pagar médicos, enfermeiros e, obviamente, a sustentar esse projeto que é o Samu", salientou a ministra.

Ex-ministro

No front tucano, por sua vez, Serra destacou a importância do setor da saúde na criação de empregos no País. "É um setor que emprega muita gente, não apenas médicos, mas profissionais da saúde. Esta é hoje uma frente muito grande de expansão de emprego produtivo no Brasil e em São Paulo", afirmou. De acordo com o governador, o setor emprega 700 mil pessoas somente no Estado de São Paulo. Ele voltou a lembrar em discursos sua experiência como ministro da Saúde do governo FHC para fazer elogios ao Sistema Único de Saúde (SUS).

"A partir não da minha experiência de médico, mas de ex-ministro e observador, posso afirmar que temos um SUS que é o melhor das Américas", declarou. De acordo com ele, uma pesquisa feita no Estado apontou que 600 mil usuários do SUS deram ao sistema nota média de 8,65 em termos de qualidade, numa escala de 0 a 10. "Isso dá uma medida da qualidade do serviço. O mais importante é o trabalho de cooperação de Estados, municípios e governo federal", elogiou.

O governador citou ainda que o governo de São Paulo investiu em dez novos hospitais e em 1,2 mil leitos nos últimos anos, o que permitiu uma média de 5 mil atendimentos emergenciais por dia. Serra declarou ainda que considera que o atendimento no SUS é uma forma de transferir renda para a população. "O que vai em matéria de saúde para as pessoas é uma forma de transferência de renda. Não é dinheiro no bolso, mas é atendimento e serviço", explicou. "Temos de aperfeiçoar nosso sistema de saúde e torná-lo cada vez maior, com atendimento de primeira classe", salientou.

CPMF

Em entrevista coletiva, ao ser questionado sobre a sua opinião a respeito da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), depois que Lula criticou a derrubada do imposto no Senado Federal, Serra disse ter sido o articulador da ideia de transferir os recursos arrecadados por meio do tributo para investimentos em saúde.

"A ideia de que a CPMF seria para custear a saúde foi minha", reclamou a autoria. "Na minha gestão no Ministério da Saúde, foi feito o melhor investimento na história da saúde", afirmou.

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