Sangramento e dor normalmente aparecem quando tumor já está em uma fase avançada, por isso a importância de se realizar os exames preventivos

Homens estão procurando mais o consultório médico, mas ainda não têm um profissional para acompanhar sua saúde
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Homens estão procurando mais o consultório médico, mas ainda não têm um profissional para acompanhar sua saúde

Acaba outubro e se inicia novembro. Chega ao fim a campanha Outubro Rosa, sobre câncer de mama , e se inicia o Novembro Azul, com objetivo de conscientizar os homens sobre a importância dos exames preventivos do câncer de próstata. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 61,2 mil novos casos da doença devem ser registrados só este ano.

O problema do câncer de próstata é que ele só tem chances reais de cura se diagnosticado na fase inicial, quando ainda não apresenta sintomas. Por isso, é essencial que o homem faça o acompanhamento médico para realização do exame do toque retal e a medição dos níveis do PSA, Antígeno Prostático Específico, substância produzida pelas células da glândula prostática.

“Quando apresenta sintomas, que podem ser sangramento na via urinaria e dor, normalmente o tumor já está em fase avançada”, explica o Dr. Geraldo Eduardo Faria, coordenador da campanha Novembro Azul da Sociedade Brasileira de Urologia. O câncer pode estar localmente avançado, quando já extrapolou os limites da glândula, mas ainda se encontra apenas no local, ou já ter se tornado metástase, quando o tumor se espalha para outros órgãos, principalmente os ossos.

“Ser abandonado”

De acordo com o especialista, os homens estão procurando mais o consultório médico, mas ainda há dois problemas principais. Um deles é que “o homem é um ser abandonado”, como brinca Dr. Geraldo. Enquanto as mulheres ganham o ginecologista quando perdem o pediatra, os homens ficam sem um especialista para acompanhar sua saúde, a não ser que ele apresente algum tipo de problema.

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“A nossa cultura é muito machista, em que o homem pensa que nunca vai ficar doente, que ele é o provedor, e aí fica sem um acompanhamento até seus 30, 40 anos”, afirma o médico. “Hoje, o urologista passa a assumir esse papel de médico do homem, investigando outros problemas de saúde que possam estar presentes nesse indivíduo. Ele passa a adotar o indivíduo que ficou abandonado ao longo de algumas décadas.”

Outro problema é que os homens mais velhos ainda têm uma maior relutância em procurar um médico para fazer o exame do toque retal. Mas os pacientes mais novos já parecem ter se conscientizado da importância do exame.

Manter hábitos alimentares saudáveis, evitar álcool e fazer exercícios físicos diminuem os riscos de câncer de próstata
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Grupos de risco

Enquanto os homens em geral devem iniciar os exames periódicos a partir dos 50 anos, aqueles com histórico familiar, negros e obesos devem começar com 45, já que, estatisticamente, têm uma incidência maior de câncer de próstata.

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O problema também é mais prevalente nas populações que ingerem uma quantidade maior de gordura animal. “A população americana tem mais câncer de próstata do que a japonesa. E um dado interessante é que, quando o japonês migra para os Estados Unidos, a segunda geração acaba tendo a mesma incidência da doença da população americana, porque essa geração adquire os costumes alimentares dos Estados Unidos.”

Tratamento

Primeiro, o especialista avalia o grau de agressividade do câncer. Caso seja pouco agressivo, o paciente passará apenas por um acompanhamento chamado vigilância ativa, sem nenhum tipo de tratamento específico, que só deve ocorrer se o tumor progredir.

Já os tipos de câncer de próstata mais agressivos exigem a cirurgia para a remoção da próstata e a radioterapia, que é um tratamento que foca na região onde está o tumor.

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