Ferramenta poderá ser baixada pelo celular e fazer as análises com o uso da câmera do aparelho; programa deverá sair no fim do ano e será gratuito

Aplicativo
Divulgação/Epic Health
Aplicativo "lê" dados do usuário quando ele toca a câmera do celular e, em poucos minutos, dá informações sobre a diabetes

Já pensou em conseguir monitorar os níveis de glicemia sem precisar retirar nenhuma gota de sangue? Pois essa opção deverá estar disponível muito em breve. A novidade que promete revolucionar a maneira como a medicina encara o monitoramento de pessoas com diabetes poderá ser acessada na palma da sua mão, por meio de um aplicativo de celular.

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Além de conseguir avaliar as taxas glicêmicas, o Epic, como é chamado o app, também poderá ajudar as pessoas a descobrirem se elas poderão desenvolver diabetes e se precisam fazer mudanças de estilo de vida para evitar que a doença se torne uma realidade.

Os usuários ainda poderão descobrir como diferentes tipos de alimentos afetam seu corpo, recebendo informações sobre como uma lata de refrigerante pode elevar seus níveis de açúcar ou frequência cardíaca, ou como um prato de brócolis é capaz de diminui sua pressão arterial. E para completar, também será possível saber como a prática de exercício ou os suplementos afetam as estatísticas vitais.

Como funciona?

Para conseguir ter todas essas informações será preciso apenas colocar a ponta do dedo sobre a lente da câmera do smartphone, conforme informou empresa responsável pelo desenvolvimento da tecnologia, que tem sede em Londres.

A partir daí, uma série de imagens aproximadas das digitais são registradas, e com isso, será possível avaliar, com precisão, informações sobre o fluxo sanguíneo do usuário. Então, esses dados são enviados para uma nuvem, que fará a análise para, em seguida, fornecer um resultado sobre todos os tipos de referências vitais - desde a frequência cardíaca, a temperatura e até a pressão arterial de cada indivíduo. Além disso, o aplicativo também poderá avisar às pessoas sobre a respiração e saturação de oxigênio no sangue.

"Nós estabelecemos um protocolo simples para um valor de linha de base a ser estabelecido e o melhor momento para realizar esse teste é logo quando a pessoa acorda, sendo a primeira coisa feita de manhã, antes de qualquer alimento ou bebida ser consumida", explica Dominic Wood, CEO e fundador da Epic Health, dona do aplicativo.

Segundo os desenvolvedores, a automonitorização da glicose no sangue (em inglês SMBG) é recomendada para todas as pessoas com diabetes e os benefícios clínicos são amplamente aceitos. O aplicativo deverá ficar disponível para download nos sistemas Android e iOS até o final deste ano e o serviço será gratuito.

Quase todos os equipamentos já existentes para monitoramento da glicose são invasivos. Por esse motivo é que a ferramenta ganhou tanto destaque, sendo pioneiro no método de acompanhamento sem precisar de amostras de sangue.

"O aplicativo usa um protocolo simples que leva o usuário a fazer um teste não-invasivo e isso nos permite capturar as informações vitais de maneira sistemática, o que produz resultados mais consistentes", afirmou Wood.

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Pré-diabéticos

Outra função da ferramenta também poderá auxiliar os usuários que ainda não foram diagnosticados com a condição, sendo capaz de medir os níveis de resistência à insulina de cada um, de uma forma completamente não invasiva, que poderá apontar se a pessoa está no estágio de pré-diabetes – quando o açúcar no sangue está elevado, mas não o suficiente para ser classificado com a condição – o que poderá evitar com que o indivíduo desenvolva a doença.

Para fazer essa medição, o aplicativo avalia a variação no pulso do usuário que está relacionada à concentração de glicose no sangue. Segundo os criadores do serviço, essa análise é muito menos complexa e mais precisa do que outras formas de monitoramento.

A resistência à insulina é o mecanismo de defesa do corpo contra a glicose que, em níveis exagerados, é uma substância tóxica. Essa medida ajuda a manter os índices no sangue abaixo de 100 mg / dl (miligramas por decilitro) e, como a maioria das pessoas que consome cerca de 124 g de açúcar por dia, é fundamental manter o controle de uma vida saudável.

Isso porque o consumo de apenas metade de uma colher de chá de açúcar já é mais do que o que o corpo realmente precisa, e fazer isso durante um período de tempo prolongado, pode ocasionar a condição, além de aumentar os riscos de desenvolver danos nos nervos, doenças cardíacas, danos aos olhos e inflamações.

Concorrentes

Depois de agitar o mercado da tecnologia voltado à área da saúde, a Epic Health não é a única empresa que procura desenvolver um monitor de glicose, podendo fornecer informações em tempo real para milhões de pessoas sobre como o exercício e a comida modificam os níveis de açúcar no sangue.

O chefe da Apple, Tim Cook, testou um dispositivo que deverá atribui-lo ao Apple Watch e pode ser revolucionário para pessoas diabéticas, conforme informado pela empresa, em um relatório divulgado em maio.

Cook foi visto desenvolvendo um protótipo do dispositivo wearable no campus da Apple, de acordo com o canal de notícias CNBC. Em fevereiro, o representante da Apple contou aos alunos da Universidade de Glasgow que ele estava "realmente entusiasmado" com seu potencial em cuidados com a saúde.

"Eu tenho usado um monitor contínuo de glicose por algumas semanas", disse ele aos alunos. Fontes sugerem que a empresa já está fazendo testes do equipamento. O projeto – que já havia sido previsto pelo co-fundador Steve Jobs antes de sua morte - poderia levar a dispositivos "inovadores" capazes de detectar a doença e monitorar os níveis de açúcar no sangue.

Ainda segundo a CNBC, a Apple contratou uma equipe de engenheiros biomédicos como parte da iniciativa secreta. Acredita-se que até 30 pessoas estejam trabalhando no projeto, que está em execução há cinco anos.

Diabetes

As pessoas diabéticas sofrem de uma doença crônica, que ocorre quando o pâncreas não produz insulina – hormônio que regula a quantidade de açúcar no sangue - suficiente ou quando o corpo não pode usar a insulina que produz.

O número de pessoas com diabetes aumentou de 108 milhões em 1980 para 422 milhões em 2014. E as estimativas são de que a cada ano esse montante continue crescendo.

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