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Óbitos aconteceram nas cidades de Jarinu, no interior do Estado, dois em Atibaia e um na capital paulista; todos os casos são de febre amarela silvestre

Na febre amarela silvestre, os mosquitos Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus; já no meio urbano, ele é transmitido pelo Aedes Aegypt
LUIS ROBAYO / AFP
Na febre amarela silvestre, os mosquitos Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus; já no meio urbano, ele é transmitido pelo Aedes Aegypt

Foram confirmadas as mortes de mais quatro pessoas  por febre amarela silvestre nesta terça-feira (9) no estado de São Paulo. Dois óbitos ocorreram em Atibaia e foram confirmados pela prefeitura da cidade. A terceira vítima é da capital paulista e quarta da cidade de Jarinu, no interior do Estado. Ao todo, já são, pelo menos sete mortes confirmadas pela doença em 2018, mas ainda é preciso que a Secretaria de Estado da Saúde seja informada pelas prefeituras das cidades para somar os casos e divulgar o número oficial.

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Em Atibaia, as vítimas são um jovem de 22 anos e um idoso de 89 anos. As amostras dos pacientes foram coletadas nos dias 28 e 31 de dezembro, respectivamente, e a confirmação de que eles estavam com febre amarela ocorreu somente hoje.

A estância de Atibaia faz limite com o município de Mairiporã, onde três mortes pela doença já haviam sido confirmadas neste início de ano. A prefeitura de Atibaia informou que, em 2017, 95.341 pessoas foram vacinadas na cidade.

A Secretaria de Saúde do município continua alertando as pessoas que ainda não se vacinaram para que procurem as unidades de saúde e busquem a imunicação. A meta da pasta é vacinar 100% da população.

“Com a ocorrência de macacos positivos, foram realizadas medidas intensivas para alcançar, em curto espaço de tempo, a melhor cobertura vacinal possível, razão pela qual foi ampliado o horário de atendimento em algumas unidades de saúde, realizadas ações de vacinação em feiras noturnas e eventos e campanhas em empresas, com grande número de funcionários. Um total de 95.341 mil pessoas foram vacinadas ao longo de 2017. Desde 2007, já são 104.032 mil imunizados, ou 75,17% da população de Atibaia”, disse a prefeitura.

Segundo a Secretaria de Saúde de Atibaia, as mortes e a ocorrência da doença em macacos confirmam que o vírus está em circulação. De acordo com a prefeitura, no começo do ano passado, apenas municípios vizinhos registraram morte de macacos, mas, em setembro, surgiram os primeiros primatas mortos nas matas da cidade: 37 com morte confirmada por febre amarela.

“Os primatas atuam como bioindicadores, possibilitando a identificação de áreas de risco de contaminação pela doença – que se dá pela picada do mosquito Haemagogus e Sabethes (transmissor) em macacos e em humanos”, explicou a prefeitura.

Na febre amarela silvestre , os mosquitos Haemagogus e Sabethes, que vivem nas matas, transmitem o vírus, e os macacos são os principais hospedeiros. Esses mosquitos picam o macaco contaminado e transmitem o vírus a uma pessoa suscetível, que não foi vacinada e que adentra uma área silvestre. Já a febre amarela urbana, que não existe no país desde 1942, é transmitida quando o mosquito urbano, o Aedes aegypti, pica uma pessoa doente e depois outra pessoa suscetível, transmitindo a doença.

A prefeitura de Atibaia informou que vai intensificar a vacinação na cidade, principalmente em áreas próximas a matas e com incidência positiva de macacos. E alertou as pessoas que têm hábito de circular em áreas de risco fazendo trilhas e acampamentos e frequentando cachoeiras, para que se vacinem contra a febre amarela e usem repelentes.

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São Paulo

A pessoa que morreu hoje em São Paulo deu entrada no Hospital Leforte, no bairro da Liberdade na última sexta-feira (5), com diagnóstico confirmado de febre amarela. O paciente de 48 anos foi internado na unidade de terapia intensiva (UTI), mas o caso evoluiu para falência múltipla de órgãos, disfunção renal grave e choque séptico, informou a assessoria do hospital.

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde de São Paulo, 16 casos de febre amarela silvestre foram registrados na cidade desde o início de 2017. Todos esses casos, informou a secretaroa, foram importados de outros estados ou municípios: 10 de Minas Gerais, um de Monte Alegre do Sul, quatro de Mairiporã e um de Atibaia. Não houve, até este momento, registro de febre amarela autóctone (contraída no próprio município) na cidade de São Paulo.

A secretaria municipal informou ainda que, desde outubro, a vacinação contra a doença foi intensificada na zona norte da capital. Até agora, 1.139.871 pessoas foram vacinadas. Na zona sul e no distrito de Raposo Tavares, na zona oeste, também houve vacinação. Nesses locais, foram vacinadas, respectivamente, 214.705 e 15.344 pessoas.

Jarinu

Em Jarinu, exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz confirmaram o diagnóstico da infecção em uma mulher de 54 anos, que morreu no dia 31 de dezembro. Essa é a segunda morte pela doença na região de metropolitana de Jundiaí.

A vítima deu entrada no Hospital São Vicente de São Paulo no dia 30 de dezembro e faleceu no dia seguinte. Segundo o secretário de Saúde do município, Antenor Gonçalvez, mais de 20 mil pessoas já receberam a vacina na cidade, mas a campanha de imunização será intensificada., conforme informou o jornal Estado de São Paulo . Desde 2017, 18 macacos foram encontrados mortos por conta da doença em Jarinu.

Doses fracionadas

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (9) que entre fevereiro e março deste ano, 75 municípios de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia irão adotar campanhas de vacinação contra a febre amarela com doses fracionadas . A decisão, segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, foi tomada mediante recomendação e autorização da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O fracionamento faz com que uma dose da vacina contra febre amarela , que antes servia para uma única pessoa, agora será aplicada em quatro pessoas. A pasta garante que a mesma dose poderia ser aplicada em até cinco indivíduos, mas o governo irá trabalhar com uma margem de segurança.

De acordo com o ministério, essa é uma medida preventiva e emergencial adotada em razão do surto da doença que o país enfrenta e que será implementada em áreas selecionadas durante um período de 15 dias. "A dose fracionada, até o presente momento, tem mostrado exatamente a mesma capacidade de imunização que a dose integral", declarou o ministro.

Barros destacou que a dose padrão da vacina contra a febre amarela protege uma pessoa por toda a vida, enquanto a dose fracionada protege por pelo menos oito anos, conforme apontaram testes feitos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Estudos em andamento, segundo ele, vão continuar a avaliar a proteção da dose fracionada posterior a esse período.

Ao todo, 19,7 milhões de pessoas devem ser imunizadas nos três estados, sendo 15 milhões com doses fracionadas, destinada à toda população, e 4,7 milhões com dose padrão, que serão apenas para crianças de 9 meses a menores de 2 anos, pessoas com condições clínicas especiais como HIV/Aids, doenças hematológicas ou após término de quimioterapia, gestantes e viajantes internacionais -mediante apresentação do comprovante de viagem.

Atualmente, o ministério utiliza a dose padrão da vacina contra a febre amarela com 0,5 mL. Já para a dose fracionada, são aplicados 0,1mL ou 1/5 da dose padrão. Desta forma, um frasco com cinco doses da vacina padrão pode imunizar até 25 pessoas com a dose fracionada contra a doença.

*Com informações da Agência Brasil

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