Especialistas recomendam que paciente tire todas as dúvidas que tiver sobre câncer de mama e o tratamento  com o médico
Cecília Bastos/Usp Imagens
Especialistas recomendam que paciente tire todas as dúvidas que tiver sobre câncer de mama e o tratamento com o médico

Elfriede Galera, de 61 anos, descobriu que tinha câncer de mama metastático em 2010. Após anos sem conseguir diagnosticar o tumor na mama, a doença acabou avançando para os ossos, fígado e pulmão. E isso só foi possível porque ela mesma insistiu em encontrar um médico que a avaliasse da forma correta .

A aposentada começou a sentir uma diferença entre as duas mamas em 2007. Como já não tinha plano de saúde, procurou atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Ela levou a última mamografia que havia feito, dois anos antes, mas, apesar de haver uma notificação recomendado uma ultrassonografia no exame, foi liberada como se estivesse tudo bem.

O mesmo ocorreu em 2009, quando Elfriede voltou a procurar um especialista. Sabendo que algo não estava certo, ela continuou a procurar ajuda até encontrar o hospital Pérola Byington, em São Paulo, considerado referência em saúde da mulher. Foi lá que ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama metastático e pôde iniciar o tratamento.

O que é câncer de mama metastático

Em evento organizado pela Pfizer na manhã desta terça-feira (4), a presidente do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, brincou que o câncer de mama tem “nome, sobrenome e apelido”. Isso porque ele é dividido em tipos e subtipos, variando pela forma como a célula mamária é afetada.

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Arquivo pessoal

Construção do próprio barco ajudou Elfriede a enfrentar o diagnóstico de câncer metastático

De uma forma mais simplificada, o câncer de mama pode ser dividido em casos precoces, quando só a mama possui o problema, quadros localmente avançados, com a axila também afetada, e os avançados ou metastáticos, quando o câncer se espalha para outros órgãos.

Apesar de ser mais difícil de chegar à cura, o diagnóstico de metástase não é uma “sentença de morte”, afirmaram os especialistas presentes no encontro. “Não se trata apenas de curar, mas também de dar qualidade de vida às pessoas com a doença”, afirmou o oncologista Rafael Kaliks, do Hospital Albert Einstein, em referência aos novos tratamentos.

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Um dos problemas que Elfriede enfrentou no início foi a falta de informação, tanto dela mesma quanto de outras pessoas. A aposentada afirma que, mesmo em uma grande cidade como São Paulo, a população conhece muito pouco sobre câncer. “Um conhecida chegou a me perguntar: ‘mas então você vai morrer?’. Eu respondi que sim, e que poderia ser depois dela”, contou Elfriede.

Tratamento

Saber qual o tipo e subtipo da doença é importante para que o médico crie o melhor plano de tratamento para cada caso. É isso que vai definir quais técnicas e drogas serão usadas.

Hoje, Elfriede já não responde aos medicamentos disponíveis no SUS, mas, após uma decisão da Justiça, conseguiu continuar o tratamento com quimioterapia injetável com outro remédio. Para não sofrer muito com dores causadas pela doença, ela não deixa de se exercitar, mas sempre com a supervisão do especialista que a acompanha. “Se eu for a uma academia, por exemplo, eles vão me indicar exercícios que eu nem posso fazer. Hoje em dia, eu pratico uma caminhada pequena, faço relaxamento e determinados movimentos com o corpo.”

A alimentação ela segue de acordo com o tratamento que faz, mas quanto mais natural, melhor para ela. Ainda assim, a aposentada diz que come de tudo, mas com moderação.

Uma das coisas que mais ajudou Elfriede a passar por tudo isso foi seu sonho de ter o próprio barco. Por quase trinta anos, ela e o marido passaram dias construindo um veleiro. Quando o câncer surgiu na vida do casal, esse trabalho se intensificou. “Percebi que meu marido estava diferente, ficava mais tempo trabalhando no barco. Tudo porque queria termina-lo para mim. Foi a maior prova de amor”, disse a aposentada. Após conseguir dinheiro suficiente em um financiamento coletivo, hoje, ela consegue aproveitar seu tempo livre no mar por pelo menos duas vezes por mês.

Cada Minuto Conta

Sabendo da importância de conscientizar a população sobre o câncer, a farmacêutica Pfizer e o Instituto Oncoguia vão realizar entre os dias 5 e 7 de outubro uma campanha nas estações Sé e Paraíso do Metrô, em São Paulo. Na ação educativa, os usuários vão poder testar seus conhecimentos sobre o tema em um quiz interativo.

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As pessoas também serão informadas de hábitos que poderão prevenir o câncer de mama, como praticar atividade física e evitar obesidade, reposição hormonal após menopausa e o tabagismo. De acordo com o oncologista Rafael Kaliks, engravidar e amamentar também protege a mulher da doença.

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