
Encontrar um nódulo na mama pode ser o início de um verdadeiro pesadelo para muitas mulheres. Até a consulta com um médico e o resultado de possíveis exames que a paciente tenha que fazer, a pergunta que fica é: “estou com câncer?”. Porém, estudos indicam que 80% dos nódulos nas mamas são benignos.
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De acordo com o mastologista Carlos Alberto Ruiz, do Hospital das Clínicas de São Paulo, a alteração funcional benigna da mama é muito frequente. Trata-se de uma sensibilidade que a mama da mulher tem aos hormônios que ela mesma produz. Pode ocorrer dor pré-menstrual no seio, aparecimento de nódulos sólidos ou bolsinhas de água, que são cistos, e secreção no mamilo. “É algo presente em quase 45% das mulheres”, afirma o especialista.
A oncologista Ana Paula Garcia Cardoso, do Hospital Israelita Albert Einstein, também aponta as fibroadenomas, os papilomas e as lesões atípicas como problemas muito recorrentes. O diagnóstico pode ser feito a partir do apalpamento da mama, de uma mamografia ou ultrassonografia.
Fibroadenomas
Em alguns casos, a glândula mamária pode sofrer mudanças profundas entre a menarca, que é a primeira menstruação, e a menopausa. O tecido mamário pode, então, responder de maneira exagerada aos estímulos hormonais, formando fibroadenomas, que são nódulos com crescimento limitado. “Em geral, não ultrapassam 2 cm, diminuindo o seu tamanho após a menopausa”, afirma o mastologista Antônio Luiz Frasson, também do Einstein. Há casos menos comuns em que o tumor pode atingir até 20 cm, os chamados fibroadenomas gigantes.
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O problema ocorre principalmente em mulheres com menos de 30 anos. O diagnóstico leva em consideração, além do resultado de exames, a idade da paciente, o status hormonal, fatores associados como dor, utilização de medicamentos como anticoncepcionais e histórico clínico.
Papilomas
Já os ductos mamários também podem ser acometidos por tumores benignos, causando a saída de secreção pelo mamilo mesmo fora da gestação ou puerpério. Os chamados papilomas ocorrem principalmente no ducto principal, por onde sai o leite materno, e raramente são palpáveis.
Lesões atípicas
Há também um subgrupo de alterações mamárias comumente denominadas de lesões epiteliais proliferativas ou hiperplasias epiteliais mamárias. “São lesões assintomáticas e geralmente encontradas devido a microcalcificações detectadas na mamografia”, conta o especialista.
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Estas lesões estão associadas a aumento relativo do risco para câncer, principalmente no caso de histórico familiar. O diagnóstico pode ser feito a partir de uma biopsia.

Tratamento e prevenção
Para o mastologista Carlos Alberto Ruiz, o tratamento mais importante nestes casos é a orientação verbal. “A primeira coisa que vem na cabeça de uma mulher com dor, que encontra um nódulo, é o câncer. Quando o médico chega e já fala ‘isso que você tem não tem nada a ver com câncer’, ela já fica muito mais tranquila e muitas vezes a própria sintomatologia já melhora. Em 80%, 90% o esclarecimento melhora esse processo.”
A melhor forma de se prevenir um problema na mama é cuidando da saúde geral do corpo: alimentação adequada, pratica de exercícios físicos e ingestão de líquidos. “O ganho de peso, principalmente na pós-menopausa, aumenta o risco de câncer de mama”, completa Dr. Alberto Ruiz.