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Não só os aparelhos de medição da glicose ou bombas de insulina ajudam a dar maior autonomia aos diabéticos: a internet também pode ser essencial para as pessoas conseguirem aceitar a doença e encontrar outros pacientes

Diogo e seu cachorro Luke – o nome é uma homenagem ao personagem Luke Skywalker da franquia Star Wars
Arquivo pessoal
Diogo e seu cachorro Luke – o nome é uma homenagem ao personagem Luke Skywalker da franquia Star Wars

Foram quase duas semanas fazendo muito xixi e sofrendo muita sede. Os pais de Diogo, com apenas quatro anos na época, estranharam e acharam melhor fazer um teste para avaliar o nível de glicemia do filho. Estava tão alta que nem mesmo aparecia no aparelho. Resultado: o menino tinha um diabetes ainda desconhecido .

Logo depois da descoberta, Diogo iniciou tratamento do diabetes com insulina. Como ele ainda era pequeno, ficava difícil ajustar a dose certa na caneta de aplicação, o que aumentava o risco de hipoglicemia. Por isso, começou a usar a bomba de insulina.

Normalmente, o aparelho é usado por pessoas que precisam de múltiplas injeções ao longo do dia. A técnica é mais precisa, já que considera o nível de glicose no sangue e a quantidade de carboidratos que a pessoa comeu. Desse modo, o dispositivo funciona mais ou menos como o pâncreas, que precisa liberar mais insulina quando a pessoa se alimenta, por exemplo.

O hormônio da insulina é responsável por pegar o açúcar que está no sangue e colocá-lo dentro das células, para gerar energia.

Diogo, hoje com oito anos, gosta de jogar vídeogame, de brincar com seu cachorro Luke e entende que precisa comer e tomar água direitinho. “Diabetes é só uma condição. Quando meus amigos (também diabéticos) ficam com medo da bomba, eu explico que não precisa ter medo de colocar o cateter, porque por ele só vai entrar insulina. Às vezes, dá uma queimadinha, mas é da insulina, faz parte.”

Além de o aparelho dar mais autonomia para o menino poder brincar, comer o que tem vontade e ficar mais tranquilo em relação ao risco de hipoglicemia, a sinceridade dos pais em relação à doença também foi de extrema importância. A mãe dele, a jornalista Viviane Bianconi, de 35 anos, explica que ela e o marido sempre conversaram muito com o filho sobre sua condição.

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Após passar pelo susto inicial com a criança, ela decidiu criar, junto com o menino, a página no Facebook “Di de Diabetes”. Pelo canal, a jornalista conseguiu ter contato com outros pais que também estavam se descobrindo inseridos neste universo das doenças crônicas. “Algumas mães acabam até me ligando. O que eu tenho a falar é que é preciso ter muito amor, paciência e coragem. É, realmente, fazer o papel de mãe a fundo. Vai ter dias ruins sim, mas outros muito bons”, afirma Viviane.

Pela página, Diogo também consegue gravar vídeos incentivando seus amigos a praticar exercícios, ter uma alimentação equilibrada e a não ter medo da doença e do tratamento.

Internet pode ser um ótimo meio para que as pessoas se informem sobre o diabetes, mas é preciso tomar cuidado
Pexels
Internet pode ser um ótimo meio para que as pessoas se informem sobre o diabetes, mas é preciso tomar cuidado


Empoderamento

De acordo com Dr. Mauro Scharf, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, é preciso dar empoderamento ao paciente para que ele consiga viver sem a barreira da doença.

Os especialistas envolvidos no tratamento devem oferecer a educação em diabetes, o conhecimento nutricional, as informações sobre atividades físicas, motivando o paciente, já que a doença acaba gerando ciclos de negação e afirmação da condição. Para tanto, a internet pode auxiliar a pessoa a conhecer melhor o problema. Assim como em relação a outros temas, é preciso estar atento à fonte da informação, já que há muitos boatos online como “a cura do diabetes”.

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Maior conhecimento e motivação pode ajudar a acabar com o fato de que mais de 80% dos pacientes não controlam sua glicose da forma correta. Aqui no Brasil, já existem aplicativos como o “StarBem Mais”, que servem como um canal de comunicação entre paciente e médico. Por ele, é possível acompanhar os cuidados que as pessoas têm no dia a dia e ainda receber informações sobre o diabetes.

“Há também os grupos de diabéticos no Facebook. Eles são ótimos, mas também temíveis – por causa da circulação de informações erradas. Mas, ajudam no acolhimento de novos pacientes e fazem com que eles possam entender melhor a doença”, afirmou o especialista.

Eric descobriu o diabetes aos 12 e, hoje, tem um blog sobre o assunto, uma página no Facebook e já pensa no YouTube
Reprodução/ YouTube
Eric descobriu o diabetes aos 12 e, hoje, tem um blog sobre o assunto, uma página no Facebook e já pensa no YouTube


Diabético intergalático

Foi o próprio Facebook que incentivou o jornalista Eric Luiz Porto, de 23 anos, a escrever para um público que, muitas vezes, tem dificuldade em aceitar o diabetes: os jovens.

A plataforma oferece um canal de fácil alcance, e Eric pode ajudar pessoas que estão tendo problemas para controlar a doença, assim como ocorreu com ele.

O diagnóstico foi dado quando tinha 12 anos, após passar mal ao fazer um exame de sangue. O nível de glicemia estava acima dos 500. Foi tudo muito rápido: internação, aprender a aplicar a insulina, ter noção de que se sofria de uma enfermidade sem cura. Para família também foi um choque, ainda mais porque não há histórico familiar.

O jornalista acredita que é muito importante ter contato com outras pessoas com a mesma condição neste momento, ter alguém para tirar dúvidas, conversar, especialmente aquelas com a mesma idade.  A família também deve se colocar presente e entender que o diabetes requer uma vida regrada.

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Diferente de Diogo, Eric aplica sua insulina com canetas. São ao menos quatro aplicações por dia, dividindo as doses entre a de ação rápida e a lenta. Após sofrer, até mesmo com dificuldades para dormir, com medo de "não acordar mais" após uma hipoglicemia, o jornalista passou a entender que o trabalho do diabético é “full time”, sem interrupções.

“Não minta para você mesmo (em relação aos níveis de glicose e cuidados com o diabetes). Aceite a doença. Nada é melhor que o acompanhamento médico e nutricional", conclui. 

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