Tamanho do texto

Apesar de um braço robótico ser responsável por segurar as pinças que são introduzidas no paciente, quem controla todo o aparelho é um ser humano

Equipe de especialistas acompanha a cirurgia robótica, que conseguiu reduzir o tempo de recuperação do paciente
Shuttersock
Equipe de especialistas acompanha a cirurgia robótica, que conseguiu reduzir o tempo de recuperação do paciente

A recuperação após um procedimento cirúrgico é uma das maiores preocupações de uma pessoa que vai precisar passar por uma cirurgia. Felizmente, hoje, a tecnologia faz com que as intervenções sejam cada vez menos invasivas.

LEIA MAIS:  "Achei que minha boca ia explodir": os riscos dos procedimentos estéticos

Dr. Carlos Eduardo Domene, coordenador científico do Comitê de Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva da Associação Paulista de Medicina, explica que, antes, se cortava o paciente com um bisturi e expunha a região interna. Depois, a cirurgia laparoscópica possibilitou que apenas um orifício de meio ou um centímetro fosse feito na pessoa, para introdução de uma câmera e instrumentos para operar o paciente de forma minimamente invasiva.

Atualmente, a cirurgia robótica é o que há de mais indicado, principalmente nos casos de procedimentos muito delicados. Diferente da laparoscopia, não é o médico que segura as pinças que vão introduzir a câmera e os instrumentos, mas um braço robótico controlado pelo especialista por meio de um console.

Neste caso, a imagem fornecida pela câmera é tridimensional. “Você opera como se estivesse lá dentro. As pinças e os movimentos são muito delicados, os braços do robô são programados para não tremer – evitando o movimento natural das mãos do médico –, é tudo muito preciso”, garante o especialista. “Melhora o desempenho do cirurgião e o resultado das cirurgias, principalmente daquelas em que existe o risco de lesão em outras estruturas do corpo.”

Diferente da cirurgia robótica, na laparascopia é o própio médico que segura as pinças que são introduzidas no paciente
Shuttersock
Diferente da cirurgia robótica, na laparascopia é o própio médico que segura as pinças que são introduzidas no paciente


Sistema de saúde público

O Instituto do Câncer de São Paulo (Incesp), o Inca (Instituto Nacional do Cãncer), no Rio de Janeiro, e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre foram os primeiros a receber a tecnologia pelo sistema único de saúde , informou Dr. Domene.

Apesar do custo da cirurgia com robô ser maior do que os outros tipos de procedimentos, estudos feitos na Suíça que avaliaram todo o processo, desde o pré-operatório até o tempo de recuperações pós cirurgia, indicam que o custo geral é até menor quando utilizado o robô.

Como os resultados com este tipo procedimento estão sendo satisfatórios, principalmente no caso da cirurgia de próstata, Dr. Domene acredita que a cirurgia robótica só tende a crescer nos sistemas de saúde brasileiros, tanto o privado quanto o público.

Cirurgião comanda o braço robótico a partir de um console; aparelho fica próximo do local onde está o paciente
Shuttersock
Cirurgião comanda o braço robótico a partir de um console; aparelho fica próximo do local onde está o paciente


Cirurgia da próstata

Dr. Rafael Coelho, urologista e cirurgião robótico do Hospital 9 de Julho, explica que o procedimento diminui o risco de sequelas como a incontinência urinária e a perda da ereção nos pacientes com câncer de próstata.

LEIA MAIS:  "É uma mutilação, mas a opção à cirurgia do câncer de próstata é morrer"

“A comparação entre a cirurgia robótica e a tradicional para o câncer de próstata mostra que o paciente que realiza o procedimento por meio da robótica, com um cirurgião experiente, tem 20% a mais de chance de recuperar a ereção e 5% a menos de risco de ter problemas com incontinência urinária, um ano após o procedimento.”

Assim como Dr. Domene, o especialista afirma que o tempo de recuperação do paciente é menor com a cirurgia robótica. Além disso, o procedimento menos invasivo faz com que o paciente sangre menos, o que diminui a necessidade de transfusão de sangue.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.