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No ano passado, o número de transplantes de coração aumentou 13%; Entre as 357 cirurgias realizadas, 90% foram financiadas pelo SUS

O número de transplantes cardíacos realizados no Brasil cresce 13% em 2016
Thinkstock/Getty Images
O número de transplantes cardíacos realizados no Brasil cresce 13% em 2016

O Brasil bateu recorde de transplantes de coração em 2016. Foram contabilizados 357 procedimentos realizados, o que gerou um aumento de 13% nas operações comparado a 2015. Os dados foram divulgados pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, e pelo presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Roberto C. Manfro, no Rio de Janeiro.

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Ao considerar os últimos seis anos, os casos de transplantes cardíacos subiram 18%. “A linha crescente é contínua e, por isso, a cada ano sempre batemos novos recordes. Temos investido e habilitado novos serviços na área, o que nos tem permitido avançar cada vez mais”, declarou o ministro da Saúde. 

Um dos motivos que colaboraram para que as operações fossem feitas, foi a assinatura de um decreto  que estabeleceu que a Aeronáutica deve manter um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) em solo, à disposição, para qualquer chamado de transporte de órgãos ou de pacientes em aguardo de transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS).

Maioria das operações foram financiadas pelo SUS

Do total de transplantes cardíacos , o SUS foi responsável por 90% das operações. De acordo com as informações divulgadas, o sistema oferece assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.

Desde 2008, o Ministério da Saúde mais que dobrou o orçamento na área de transplantes, passando de R$ 453,3 milhões para R$ 942,2 milhões. Com os investimentos em imunossupressores (medicamentos usados para evitar a rejeição do órgão transplantado), o orçamento foi de R$ 2,2 bilhões em 2016.

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Doação de órgãos

Para alguns pacientes, o transplante pode ser a única chance de vida,  e a conscientização da população em relação a doação de órgãos merece atenção. "Nosso objetivo para reduzir as listas de espera é fazer campanhas de conscientização para que as famílias autorizem a doação de órgãos", declarou o ministro da Saúde.

Idade do doador, causa do óbito e tipo sanguíneo são alguns requisitos estudados para saber se há um receptor compatível. “Todos nós podemos ser doadores, desde que a nossa família autorize. Por isso, se você deseja ser um doador não deixe de comunicar seus familiares”, alerta o cirurgião cardíaco de São Paulo, Marcelo Sobral.

Cirurgia só deve ser feita em casos graves

Segundo o médico, essa operação só é indicada em casos de problemas cardiovasculares mais avançados, que colocam em risco a vida do indivíduo e que não podem ser tratados com medicação. “Os pacientes mais sujeitos a esse procedimento são aqueles que sofrem de doença coronária grave, miocardiopatia, doença cardíaca congênita e válvulas cardíacas com alterações graves", completa Sobral. 

 O transplante cardíaco pode ser realizado desde recém-nascidos até idosos e é dividido em dois procedimentos: o transplante ortotópico, que se caracteriza pela substituição de um coração doente por outro saudável; e o heterotópico, técnica onde o coração do doador é implantado sobre o órgão nativo com o objetivo de ajudar a bombear o sangue, ou seja, nesse caso o paciente passa a ter dois corações.

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