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Teste mostra que maioria dos entrevistados não sabe como prevenir o câncer; só 3% reconhece a mamografia como o melhor exame para detecta-lo

Teste aponta que paulistanos não estão bem informados sobre câncer de mama
BBC
Teste aponta que paulistanos não estão bem informados sobre câncer de mama

Mesmo com o grande número de casos de câncer de mama no Brasil, as informações sobre esse tipo de tumor ainda não estão esclarecidas para a população paulistana. Pelo menos é o que mostram os resultados de um quiz sobre a doença, que foi aplicado aos passageiros de algumas das estações de metrô mais movimentadas de São Paulo, no último Outubro Rosa.

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Com apoio da ONG Oncoguia, as ações no metrô fazem parte da campanha Cada Minuto Conta, uma parceria entre a Pfizer e a União Latino-americana Contra o Câncer da Mulher (Ulaccam) que tem o objetivo de aumentar o conhecimento do público sobre a doença.

A pesquisa revela que a maioria dos entrevistados ainda desconhece dados sobre o câncer de mama. Dos 270 participantes do teste, mais da metade não souberam responder corretamente perguntas relacionadas à prevenção da doença: apenas 3% reconhece a mamografia como a melhor maneira de detectar o tumor. Dividindo por faixa etária, entre os entrevistados acima dos 40 anos, quando o risco do tumor é ainda maior, ninguém apontou a importância do exame.

“A mamografia é imprescindível, pois identifica alterações que ainda não podem ser percebidas no exame de palpação feito no consultório" alerta o diretor médico da Pfizer, Eurico Correia. O especialista ainda afirma que podem ser pedidos outros exames, como o ultrassom ou a ressonância magnética, e destaca a importância de visitar o médico regularmente e fazer todos os exames solicitados. 

Outro dado alarmante é que 80% dos entrevistados respondeu como sendo verdade que o tumor só pode ser desenvolvido em mulheres. Mas, embora seja mais frequente em pessoas do sexo feminino, a doença também pode se manifestar em homens, principalmente na faixa etária entre 50 e 65 anos. Os sintomas e o tratamento, inclusive, são semelhantes.

Consumo de bebidas alcoólicas aumenta risco de câncer de mama; álcool interfere nos níveis do estrógeno
Marcos Santos/USP Imagens
Consumo de bebidas alcoólicas aumenta risco de câncer de mama; álcool interfere nos níveis do estrógeno


Evitar bebida alcoólica e manter peso ideal são maneiras simples de prevenção 

Entre os hábitos a serem evitados, 86% acredita que a bebida alcoólica não influencia no diagnóstico positivo. Entretanto, o consumo frequente de álcool, mesmo em baixas quantidades (como uma lata de cerveja por dia), já é o suficiente para aumentar o risco de câncer de mama, explica Correia. “Quanto maior o consumo, maior o risco, porque o álcool interfere nos níveis do estrógeno, que é um hormônio relacionado aos tumores de mama mais comuns.”

Estar acima do peso também representa um fator de risco para o desenvolvimento da doença, mas 78% das mulheres entrevistadas e um percentual igualmente de 78% dos homens, não faz essa associação. Estudos científicos mostram que o excesso de peso, principalmente após a menopausa, favorece o desenvolvimento do tumor. “Isso ocorre porque o tecido gorduroso produz vários hormônios, entre eles o próprio estrógeno, que está relacionado aos tipos mais comuns da doença”, completa o diretor médico da Pfizer.

"A falta de informação contribui para o diagnóstico tardio, fazendo com que o paciente chegue ao serviço médico com a doença já avançada, o que dificulta o tratamento" analisa o oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Rafael Kaliks.

 De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a maioria dos tumores de mama está relacionada a fatores ambientais e de estilo de vida e até 10% dos casos, apenas, poderiam ser atribuídos à herança genética. 

Amamentação interrompida precocemente também aumenta as chances da doença
Pixabay
Amamentação interrompida precocemente também aumenta as chances da doença

 Casos na família não devem ser ignorados

Ainda assim, a importância do histórico familiar é um fator relevante e que não faz parte dos conhecimentos paulistanos sobre o tumor, especialmente entre as mulheres. Entre elas, apenas 2% consideram verdadeiro afirmar que as filhas, sobrinhas e irmãs de mulheres que tiveram a doença correm mais risco de desenvolver o tumor também.  Já entre os homens, o percentual que teve a mesma resposta foi de 8%.

O especialista da Pfizer explica sobre a influência que os casos na família têm para que um diagnóstico positivo apareça em outros membros familiares. “Quem tem um parente de primeiro grau diagnosticado com câncer de mama antes dos 50 anos corre mais risco, assim como quem tem parentes que tiveram câncer nas duas mamas ou no ovário.” 

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Não ter filhos ou diminuir o tempo de amamentação pode influenciar na doença

Com a evolução da sociedade, as mulheres estão cada vez mais em busca de liberdade de escolhas que influenciam, inclusive, no estilo de vida de cada uma. Mas é importante saber que a maternidade tardia, ou até a opção por não ter filhos e a redução no período de amamentação dos bebês podem favorecer o desenvolvimento do câncer de mama, de acordo com a literatura médica. 

 Porém, apenas 22% das mulheres e 19% dos homens participantes do quiz consideram verdadeiro afirmar que o aleitamento materno ajuda a proteger a mulher contra o câncer de mama.  O fato de que não ter filhos torna a mulher mais suscetível à doença é ignorado por 78% das entrevistadas e 69% do público masculino.  

“Quanto menos filhos, maior o número de ciclos menstruais na vida da mulher, que são momentos de maior exposição a hormônios relacionados à doença. Da mesma forma, quanto maior o período de amamentação, menos ciclos menstruais, e maior a proteção”, explica Kaliks.  

Apesar do que a população pensa, o tumor pode ir para outras partes do corpo

Contrariando 72% das opiniões da amostra,  até 30% dos casos da doença podem evoluir e influenciar no aparecimento de metástases, quando o tumor se espalhar e atinge outros órgãos.  Além disso, mais de 80% dos paulistanos ouvidos também acreditam, erroneamente, que não existe possibilidade de tratamento para o paciente com câncer de mama metastático.

 “Hoje, a realidade do paciente com câncer de mama metastático é outra. Se no passado as perspectivas eram limitadas, atualmente já existem medicamentos que podem controlar a doença por vários anos, mesmo quando ela é diagnosticada em um estágio avançado. Os efeitos colaterais também são mais brandos, preservando a qualidade de vida dessa mulher”, conclui Correia.

É importante lembrar que, segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é de que, só neste ano, 57.960 mulheres recebam o diagnóstico de câncer de mama em todo o País. O estado de São Paulo representa 27% desse total, com aproximadamente 15.770 casos.

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