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Segundo a pesquisa, quanto mais fluído cerebral no bebê, maior a chance de ter autismo; esse líquor pode ser detectado por ressonância magnética

 Uma nova pesquisa revela um fator que pode ajudar a antecipar o diagnóstico de bebês com autismo. Crianças com mais fluido cerebral são mais propensas a terem essa condição, conforme comprovou o estudo.

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Autismo pode ser detectado em bebês a partir dos seis meses de idade, por meio de ressonâncias magnéticas
TV iG
Autismo pode ser detectado em bebês a partir dos seis meses de idade, por meio de ressonâncias magnéticas

Muitas pessoas que foram diagnosticadas com autismo , aos dois anos de idade já tinham uma quantidade maior de líquido cefalorraquidiano, conhecido também como LCR, aquele que é encontrado entre o cérebro e a coluna vertebral.

Para o doutor Joseph Piven, da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, que colaborou com o estudo, com essa descoberta as crianças poderão ser diagnosticadas com essa condição desde cedo. A partir dos seis meses já será possível detectar a doença. Antes, isso só acontecia depois dos 18 meses.

Quanto mais fluído, mais grave é o grau de autismo

O estudo também mostrou que quanto mais fluído cerebral aos seis meses de vida de um bebê, que foi medido por meio de ressonâncias magnéticas (MRI), mais grave foram os sintomas da doença quando as crianças completaram dois anos de idade.

O co-autor da pesquisa,  o doutor Thomas Castelloe Distinguished, professor de Psiquiatria e diretor do Instituto Carolina para Desenvolvimento de Deficiências, disse: "O LCR é fácil de ver em MRIs comuns, e aponta chances do bebê ter a condição, antes dos sintomas mais conhecidos aparecerem”.

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LCR pode ser a causa do autismo

As análises, publicadas pela Biological Psychiatry, indicam que o fluxo extra desse líquor como uma das possíveis causas da doença.

O autor da pesquisa, doutor Mark Shen, acrescentou: "sabemos que o LCR é muito importante para a saúde do cérebro, e os nossos dados sugerem que, neste grupo de crianças avaliadas, o fluido não está agindo adequadamente”.

"Não esperamos que exista um único mecanismo que explique a causa da condição para cada criança. Mas achamos que o fluxo inadequado de LCR pode ser um fator importante”, completa Shen.

A pesquisa

Até a última década, as comunidades científicas e médicas consideravam o LCR apenas como uma camada protetora entre o cérebro e o crânio, mas desde então descobriram que ele atua como um sistema de filtração muito importante.

Neste estudo mais recente sobre o líquor, os pesquisadores avaliaram 343 recém-nascidos, sendo 221 com alto risco de desenvolver autismo por ter um irmão mais velho com essa condição.

Os pesquisadores descobriram que o aumento do LCR prevê, com cerca de 70% de precisão, que os bebês seriam diagnosticados com autismo.

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