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Pesquisa aponta que mulheres brancas e negras também podem ter riscos diferentes em relação ao local onde há mais gordura no corpo; entenda

A quantidade de gordura no corpo influencia na quantidade de gordura no coração, diz estudo
shutterstock/Reprodução
A quantidade de gordura no corpo influencia na quantidade de gordura no coração, diz estudo

Para a maioria das mulheres, é muito mais difícil perder peso quando se atinge a casa dos 40 anos. Emagrecer depois dessa idade é muito mais complicado, já que o metabolismo não é mais o mesmo, e com a chegada da menopausa as mudanças hormonais facilitam o ganho de alguns quilos. Mas a diferença na balança também afeta a saúde do coração.

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Isso porque, uma nova pesquisa constatou que dependendo da cor e de onde a gordura acaba se concentrando no corpo das mulheres, há mais chances de acumular gordura no coração , trazendo mais problemas cardíacos e afetando a saúde em geral.

Segundo o que foi constatado pelo novo estudo da Universidade de Pittsburgh, para as mulheres negras, aquelas que tendem a ganhar peso ao redor de sua cintura, há um maior risco de acumulação de gordura em seus corações.

Já as mulheres brancas têm um maior risco de obter gordura nos corações, independentemente de onde eles ganham peso: qualquer quilo extra é um risco.

Os resultados, publicados na edição desta quarta-feira (2) da revista Menopause, afirmaram achados semelhantes sobre homens há três anos, o que mostrava que o peso abdominal é perigoso para os homens negros, enquanto um alto IMC em geral é arriscado para homens brancos.

O autor principal do estudo, Samar El Khoudary explicou que sua equipe foi conduzida a fazer a análise para ajudar os médicos clínicos a detectar os fatores de risco cardíaco com mais rapidez, sem precisar necessariamente de uma análise cardíaca cara.

"Este estudo, juntamente com a nossa pesquisa anterior em homens, dá aos médicos outra ferramenta para avaliar seus pacientes e ter uma melhor percepção do risco de doença cardíaca", afirmou El Khoudary, professor associado de epidemiologia da Pitt Public Health.

"Isso também pode levar a sugestões de modificações de estilo de vida para ajudar os pacientes a diminuir esse risco".

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Como foi feito o estudo?

A equipe avaliou dados clínicos, como tomografias e pressão arterial, em 524 mulheres de Pittsburgh e Chicago matriculadas no Study of Women's Health Across the Nation (SWAN).

As mulheres estavam em diferentes estágios da menopausa, com média de 51 anos e não estavam em terapia de reposição hormonal.

Primeiro, eles contabilizaram os efeitos de riscos para a saúde do estilo de vida e dos fatores socioeconômicos, como o tabagismo, o consumo de álcool e a tensão financeira.

Dessa forma, não foi surpresa a conclusão de que quanto mais gordura uma mulher carrega em geral no seu corpo, maior o risco de um coração gorduroso.

Porém, isso variou dependendo da raça da mulher e do tipo de peso que eles ganharam.

As tomografias mostraram que as mulheres brancas com maior índice de massa corporal (IMC), que é uma medida de gordura corporal geral, apresentaram significativamente mais gordura cardíaca do que as mulheres negras com o mesmo IMC.

Para as mulheres negras, as tomografias revelaram que os níveis de gordura cardíaca eram maiores se eles carregassem mais gordura na parte abdominal, em comparação com as mulheres brancas com o mesmo volume de gordura na mesma região.

No entanto, eles também descobriram que as mulheres negras apresentaram maior risco em geral de eventos cardíacos. As mulheres negras com cintura maiores e corações gordurosos acumulavam gordura mais perto de seus corações do que as mulheres brancas com IMCs maiores.

"Nós chegamos agora a conclusões muito semelhantes que mostram que o excesso de gordura abdominal é pior para homens e mulheres negros, e um IMC mais alto é pior para homens e mulheres brancos quando se trata de suas chances de ter mais gordura em torno de seus corações" Explicou El Khoudary.

O médico, porém, admitiu que a análise atual não é capaz de avaliar as mudanças ao longo do tempo. Mas ainda insistiu que as descobertas oferecem uma visão crucialmente matizada de como o aumento de peso na meia-idade afeta diferentes raças.

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