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Próximo passo é usar técnica para reverter o envelhecimento do coração de humanos, afirmam cientistas dos Estados Unidos, autores da pesquisa

Estudo para rejuvenescer coração de ratos apresenta resultados positivos, segundo cientistas
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Estudo para rejuvenescer coração de ratos apresenta resultados positivos, segundo cientistas

Um experimento feito nos Estados Unidos apontou resultados que podem ditar o futuro da medicina. Cientistas do Instituto do Coração de Cedars-Sinai, em Los Angeles, na Califórnia, conseguiram reverter com sucesso o envelhecimento de corações de ratos, usando a tecnologia de células-tronco.

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Para realizar o estudo, os pesquisadores injetaram novas células do coração , vindas de ratos de laboratório recém-nascidos, em ratos idosos. Anteriormente, este método experimental só havia sido usado como forma de reparar danos depois de um ataque cardíaco.

Agora, nesta nova pesquisa, a equipe - que realizou a primeira infusão de células-tronco cardíacas no mundo em 2009 - mostrou que também pode reverter o envelhecimento do órgão. Para os especialistas, esse é um passo muito importante para humanos, pois indica um caminho para que a técnica seja aplicada em humanos.

Implante

Os testes foram realizados em ratos de 22 meses de idade - considerados velhos – que receberam células estaminais de ratos de quatro meses de idade. Essas células são conhecidas por ter a capacidade de se autorrenovar.

Outros ratos de laboratório da mesma faixa etária foram designados para receber tratamento com placebo, injeções salinas no lugar de células estaminais.

A função cardíaca basal foi medida em todos os ratos, usando ecocardiogramas, testes de estresse na esteira e análise de sangue.

O grupo de ratos mais velhos sofreu uma rodada adicional de testes um mês depois de receber células derivadas da cardiosfera provenientes de ratos jovens.

Ao longo da avaliação, foi possível constatar que todos eles apontaram uma função cardíaca melhorada, aumentaram sua capacidade de exercício em uma média de 20% e tiveram o crescimento de pelo mais acelerado do que os outros ratos da mesma idade que não receberam as células.

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Eles também demonstraram telômeros de células cardíacas mais longos - estruturas compostas localizadas nas extremidades dos cromossomos que encolem com a idade.

"Anteriormente, nossos estudos de laboratório e ensaios clínicos em humanos mostraram ser promissores no tratamento da insuficiência cardíaca usando infusões de células-tronco cardíacas", contou o autor principal Dr. Eduardo Marbán, diretor do Instituto do Coração Cedars-Sinai.

Células-tronco

"Agora, achamos que essas células-tronco especializadas podem reverter problemas associados ao envelhecimento do coração", completou ele.

Essas células são um tipo básico que podem se transformar em outro tipo de células mais especializadas, através de um processo conhecido como diferenciação. Semelhante a uma bola fresca de argila, elas podem ser moldadas e transformadas em qualquer célula do corpo.

Elas crescem em embriões como células estaminais embrionárias, usadas para ajudar o bebê que se desenvolve rapidamente para formar os milhões de tipos celulares diferentes que precisam surgir antes do nascimento.

Em adultos, elas são usadas ​​como células de reparo, ​​para substituir aquelas que são perdidas por danos ao longo da vida ou envelhecimento. "O modo como as células funcionam para reverter o envelhecimento é fascinante", ressaltou Marbán.

No entanto, para uma das autoras do estudo, a investigadora primária Lilian Grigorian-Shamagian ainda há muitos passos a serem dados até que a técnica passe a ser utilizada em humanos. "Este estudo não mediu se o recebimento das células derivadas da cardiosfera aumentou a expectativa de vida, por isso temos muito mais trabalho a fazer", completou.

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