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Pesquisa ainda está em fase de testes e já foi aplicada em ratos; ideia é reverter o efeito de algumas síndromes que impedem homens de ter filhos

 a OMS, os casos de infertilidade masculina são equivalente aos casos de mulheres que não podem reproduzir
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a OMS, os casos de infertilidade masculina são equivalente aos casos de mulheres que não podem reproduzir

O sonho de ter um filho é, para muitos casais, uma barreira difícil de ser superada, já que os casos de infertilidade no Brasil atingem mais de 270 mil duplas, ou seja, 15% do total de homens e mulheres que estão juntos e gostariam de ter um bebê biológico, mas não conseguem por questões genéticas, conforme afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Durante muito tempo a “culpa” por não poder gerar um filho caía completamente sob as costas das mulheres. Porém, de acordo com a OMS, a quantidade de homens inférteis se assemelha às mulheres, o que faz com que a infertilidade também seja um problema masculino.

Pensando em alternativas para essa condição, cientistas de uma universidade britânica estão tentando transformar células da pele para eliminar o impedimento causado por certas condições que impedem os homens de se reproduzir. Por enquanto, os estudos ainda estão em fase de testes e as experiências estão sendo feitas em camundongos.

Para entender como o trabalho está sendo feito, é preciso saber que a maioria dos homens tem dois cromossomos sexuais - um X e um Y. Porém, alguns têm três, o que dificulta a produção de esperma fértil.

Cerca de 1 em cada 500 homens nascem com a síndrome de Klinefelter, causada por desenvolver um cromossomo X extra, enquanto aproximadamente 1 em 1000 possui síndrome de Double Y, que tem o mesmo efeito para o cromossomo Y.

Essas são as principais causas de infertilidade existentes, de acordo com James Turner do Francis Crick Institute, em Londres. Pensando nisso, ele e sua equipe encontraram uma maneira de contornar a esterilidade causada por esses cromossomos extras.

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Pesquisa

Primeiro, eles criaram camundongos, cada um com um dos cromossomos extra, X ou Y. Eles então tentaram reprogramar as células da pele desses animais, transformando-as em células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), que são capazes de formar outros tipos de células.

Para a surpresa dos cientistas, isso foi suficiente para fazer com que cerca de um terço das células da pele descartassem o cromossomo extra. Quando essas células foram então ligadas à formação de espermatozoides e utilizadas para fertilizar os óvulos, 50% a 60% das gravidezes resultantes chegaram a partos vivos.

Risco de câncer

Essa constatação sugere que uma técnica semelhante poderia permitir que os homens com infertilidade Klinefelter ou Double Y possam reproduzir. Mas ainda é preciso aperfeiçoar a técnica, antes de testá-la em humanos.

“Nós ainda não sabemos como transformar completamente as células-tronco em esperma, então contornamos isso injetando as células em testículos de ratos para os últimos estágios de desenvolvimento. Embora isso tenha resultado em esperma fértil, também causou tumores entre 29% e 50% dos camundongos”, contou Turner.

"É preciso que seja feito tudo in vitro, para só depois as células espermáticas normais serem usadas para fertilizar os óvulos", explicou Zev Rosenwaks, do Weill Cornell Medical College em Nova York. "O perigo com toda a tecnologia celular iPS para reverter a infertilidade é o câncer", finalizou ele.

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