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Médicos acreditam que, por terem contato com uma parte onde os clientes não têm acesso, esses profissionais poderão ajudar a identificar melanomas

Dermatologistas desenvolveram um vídeo para treinar cabeleireiros a identificarem câncer de pele
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Dermatologistas desenvolveram um vídeo para treinar cabeleireiros a identificarem câncer de pele

Os hospitais universitários dos Estados Unidos estão ensinando cabeleireiros a identificar o câncer de pele. Por terem contato com áreas do corpo que o próprio indivíduo não consegue observar sozinho, esses profissionais podem ajudar a alertar seus clientes sobre a doença, que é o tipo de câncer mais comum no mundo todo.

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Segundo pesquisadores da Universidade do Colorado e da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, metade dos melanomas – um dos tipos de câncer de pele mais perigosos e letais - não são detectados pelas pessoas que procuram por sintomas do tumor justamente por estarem concentrados, muitas vezes, no couro cabeludo e pescoço.

A Dra. Neda Black, dermatologista da Universidade do Colorado e a Dra. Gillian O'Reilly criaram um vídeo educacional voltado para ensinar os cabeleireiros a identificar melanomas enquanto eles atendem seus clientes, aproveitando a visão privilegiada que eles têm de cada um.

O material aborda cinco critérios que devem ser observados para detectar o melanoma: anormalidades em assimetria, bordas, cor, diâmetro e evolução (alterações na mancha).

Em um teste feito com 108 cabeleireiros de 45 salões diferentes, mais de 70% dos participantes conseguiram identificar manchas atípicas após o treinamento, e os pesquisadores dizem que o método pode ser uma "promessa" para ajudar a melhorar a detecção da doença.

A intenção é que se o treinamento de detecção de melanoma for bem sucedido, um dia pode ser que os cabeleireiros possam salvar vidas, principalmente em comunidades onde o acesso à saúde é mais precário, e o câncer é mais mortal.

Essa não é a primeira vez que os cabeleireiros são vistos como cidadãos capazes de agir em prol da saúde pública de uma comunidade devido ao relacionamento de confiança que estabelecem com seus clientes.

Como reconhecimento disso, em 2016, em Illinois, quinto estado mais habitado dos EUA, esses profissionais são habilitados para denunciar casos de abuso doméstico, e receberam treinamento para agir nessas situações.

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Melanoma

O melanoma é uma forma relativamente rara de câncer de pele, mas é, de longe, o mais mortal. Somente em 2017, a doença fez 9.730 vítimas norte-americanas, de acordo com o levantamento da Skin Care Foundation.

No entanto, o câncer é detectável. É preciso que mais esforços para fortalecer a estratégia de prevenção sejam feitos para "parar a doença cada vez mais comum", conforme declarou a Sociedade Americana do Câncer e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

A exposição ao sol aumenta o risco de desenvolver as manchas cancerosas, especialmente para pessoas de pele clara que já estavam predispostas aos melanomas.

Usar o protetor solar pode ajudar a diminuir os riscos de câncer de pele na maior parte do corpo, mas a pele debaixo dos cabelos costuma ficar relativamente desprotegida, de modo que a área é a mais difícil de proteger e mais difícil de detectar algum sintoma.

Como identificar

Os melanomas podem estar na pele, olhos, orelhas, trato gastrointestinal, membranas mucosas e genitais. As áreas do corpo mais comuns são o dorso em homens, e braços e pernas em mulheres.

Eles podem ser detectados:

  • A partir de uma mudança em uma macha ou pinta já existente;
  • Desenvolvimento de uma nova mancha ou pinta bem pigmentada ou de formato anormal na pele;
  • Outras alterações incomuns, como coceira, comichão, sangramento e a não cicatrização da área.

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