Tamanho do texto

Prefeitura do Rio de Janeiro suspeita de que a fonte de contaminação venha das águas contaminadas da favela do Vidigal, localizada na zona sul da cidade

Marcelo Crivela visita Vidigal e fala sobre a importância dos cuidados que a comunidade deve ter para evitar a hepatite A
Tomaz Silva / Agência Brasil
Marcelo Crivela visita Vidigal e fala sobre a importância dos cuidados que a comunidade deve ter para evitar a hepatite A

Nos últimos dias, 92 casos de suspeita de hepatite A foram notificados no centro municipal de saúde do Vidigal, localizado na zona sul do Rio de Janeiro. Desses, 75 casos já foram confirmados, o que configura um surto da doença na região.

Leia também: Governo vai oferecer novo tratamento para pessoas com hepatite C

Nesta segunda-feira (8), o prefeito Marcelo Crivella visitou a comunidade e pediu a atenção da população às medidas de higiene que ajudam na prevenção da hepatite A . A prefeitura também coletou água em diversos pontos da região e as amostras foram enviadas para análise na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A medida servirá para identificar a fonte do surto da doença.

"Coletamos água em diversos pontos, e hoje a hipótese mais provável é que haja contaminação nas águas", afirmou Crivella, que recomendou não consumir água de poços e lavar os alimentos com água fervida. "Temos que cozer bem os alimentos e lavar as mãos, sermos incansáveis nesses cuidados. O vírus pode ficar quatro horas na pele e mais tempo dentro da água".

Para reforçar a prevenção, a pasta recomendou a vacinação de crianças contra a doença, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) apenas para crianças até 4 anos, 11 meses e 29 dias. O prefeito revelou que que o município conversa com o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de vacinar adolescentes e jovens adultos, já que a maioria dos casos confirmados atingiu homens de 20 a 30 anos.

Fábrica de gelo

A prefeitura destacou que há uma preocupação grande com fábricas de gelo da região, que pode ser a fonte da doença. O produto é bastante utilizado por funcionários de quiosques e vendedores ambulantes na praia, que pode colaborar com a contaminação.

"Normalmente, as pessoas usam água de torneira para fazer gelo, porque não trabalham com a hipótese de beber aquela água. Só que, ao lidar com o gelo, as pessoas se contaminam na mão e vão transmitir para outras pessoas que podem cumprimentá-las", afirmou Crivela.

O secretário municipal de Saúde, Marco Antonio de Mattos, explicou que diversas hipóteses estão sendo analisadas e reforçou que a principal medida a ser tomada é não consumir água de poços nem de fontes de procedência desconhecida. Ele disse que o número de casos chamou a atenção porque, nos últimos sete anos, foram identificados casos esporádicos de hepatite A na comunidade.

O secretário ressalta que a situação é alarmante, mas dentro da comunidade. "Houve um aumento significativo de casos. Não é uma epidemia de hepatite A, é um surto localizado no Vidigal".

São Paulo

No último ano, a cidade de São Paulo passou por um aumento de 960% de casos da doença . Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, até outubro, 604 casos da doença haviam sido registrados. Comparado ao mesmo período do ano passado, apenas 57 casos tinham sido notificados.

Hepatite A

Apesar de ser considerada menos grave do que as demais hepatites, a do tipo A causa inflamação no fígado e é uma virose de fácil contagio, basta o contato oral com as fezes contaminadas com a doença ou alimentos e água contaminados.

Outro jeito que pode fazer com que a doença seja transmitida é por relação sexual oral e anal sem o uso de preservativos. Descuidos com a higiene podem aumentar ainda mais a contaminação.

Lavar as mãos antes de comer e preparar as refeições podem ser algumas das medidas de prevenção da hepatite A. Além disso, evitar o consumo de alimentos crus, beber apenas água potável, e praticar sexo anal e oral sempre com o uso de preservativos são outras dicas que ajudam a evitar a doença.

*Com informações da Agência Brasil

Leia também: Saiba quais vacinas os idosos devem tomar pela rede pública

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.