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Motorista que atropelou 17 pessoas em Copacabana afirma sofrer de epilepsia; atualmente, há 50 milhões de pessoas no mundo com a doença

Doença é uma manifestação neurológica que causa alterações cerebrais no portador, gerando o ataque de epilepsia
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Doença é uma manifestação neurológica que causa alterações cerebrais no portador, gerando o ataque de epilepsia

O motorista responsável pelo atropelamento que chocou os brasileiros na noite desta sexta-feira (18), deixando 16 feridos e um bebê morto em Copacabana , não estava alcoolizado, segundo o exame toxicológico feito pelo Instituto Médico-Legal (IML). Em seu depoimento, Antonio Almeida Anaquim alega ser epiléptico e diz que teve um ataque de epilepsia no volante. 

A epilepsia é uma doença neurológica, que pode atingir todas as idades, caracterizada por descargas elétricas anormais excessivas no cérebro que são recorrentes e geram um ataque de epilepsia ou as crises – que podem se manifestar com alterações da consciência ou eventos motores, sensitivos/sensoriais, autonômicos (por exemplo: suor excessivo, queda de pressão) ou psíquicos involuntários percebidos pelo paciente ou por outra pessoa.

As crises e falta de informação ainda faz com a doença seja rodeada de preconceitos. "Na maioria dos casos, os pacientes estão aptos ao estudo e trabalho, desde que não executem atividades que os exponham a risco. É uma doença controlada em 70% dos casos quando dignosticada e tratada corretamente", afirma Laura Guilhoto, presidente da Associação Brasileira de Epilepsia. 

Mas quem tem epilepsia pode dirigir?

Segundo a Associação Brasileira de Educação de Trânsito, o paciente com epilepsia que se encontra em uso de medicação antiepiléptica poderá dirigir se estiver há um ano sem crise epiléptica – dado que deve ser apresentado através de um laudo médico.

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Caso o paciente esteja em retirada da medicação antiepiléptica, ele poderá dirigir se estiver há no mínimo dois anos sem crises epilépticas e ficar por mais seis meses sem medicação e sem crise. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo há 50 milhões de pessoas com epilepsia

Mitos e verdades

Ainda existem diversas dúvidas sobre a epilepsia. Diante disso, a Dra. Adélia Henriques Souza, neurologista infantil e presidente da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), esclarece alguns mitos e verdades:

- Epilepsia é uma doença neurológica e não é contagiosa. Também não é uma doença mental;

- Nem toda convulsão é epilepsia. Para considerar que uma pessoa tem epilepsia, ela deverá ter repetição de suas crises epilépticas;

- Paciente pode ficar consciente durante a crise. E crise pode ter diferentes características: serem rápidas ou prolongadas; com ou sem alteração da consciência; com fenômeno motor, sensitivo ou sensorial; únicas ou em salvas; exclusivamente em vigília ou durante o sono;

- Estresse pode desencadear uma crise

O que fazer para ajudar durante uma crise?

As crises podem acontecer em qualquer ambiente e os sinais característicos são movimentos descontrolados do corpo. 

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As organizações e médicos alertam também que nem todas as crises têm as mesmas características – a pessoa pode se manter consciente ou não e ter ou não complicações – mas existem algumas dicas do que fazer se alguém tiver uma crise perto de você. Entretanto, se a crise durar mais de 5 minutos, chame atendimento médico de urgência. 

1. Mantenha a calma. Transparecer o estresse pode deixar a pessoa mais nervosa e potencializar os sintomas;

2. Acomode e posicione a cabeça da pessoa de lado;

3. Afaste-o de objetos cortantes ou pontiagudos, como tesouras, canetas ou facas;

4. Não coloque nada na boca da pessoa;

5. Não segure a pessoa;

6. Aguarde a pessoa se reestabelecer e ofereça ajuda

7. Não dê água ou remédios durante um ataque de epilepsia;

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