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Estudo mostra que 22% dos pacientes que realizaram procedimentos cirúrgicos e tiveram complicações, apresentaram resistência às drogas

Resistência de bactérias a antibióticos é considerada uma ameaça à saúde pública mundial, dizem especialistas
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Resistência de bactérias a antibióticos é considerada uma ameaça à saúde pública mundial, dizem especialistas

Pouco mais de um quinto dos pacientes que desenvolvem infecção depois de uma cirurgia hospitalar apresenta resistência a antibióticos, afirma um estudo recente, publicado pela revista científica Lancet Infectious Diseases.

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A pesquisa global descobriu que um em cada oito pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos comuns, como a remoção do apêndice, por exemplo, desenvolveu uma infecção durante a recuperação. Desses, aproximadamente 22% dos pacientes revelaram-se resistentes aos antibióticos que deveriam ter agido contra os germes.

Realizado por pesquisadores das universidades de Edimburgo, Warwick e Birmingham, no Reino Unido, os achados foram classificados por eles como "extremamente preocupantes", com consequências potencialmente "catastróficas".

Pesquisa

O estudo financiado pelo NHS (National Health Service), o serviço público de saúde do Reino Unido, envolveu mais de 12 mil pacientes de 66 países diferentes e encontrou um número surpreendente de infecções que se desenvolvem a partir de feridas cirúrgicas que são resistentes aos antibióticos.

A equipe que liderou a análise verificou que em países ricos, incluindo o Reino Unido, 17% das infecções - pouco mais de um em cada seis casos - que se desenvolveram dentro de um mês de cirurgia foram resistentes ao tratamento.

Nos países pobres, o problema foi ainda pior, com bactérias resistentes aos antibióticos encontradas em 36% das infecções.

Os pesquisadores acompanharam os pacientes submetidos a procedimentos gastrointestinais comuns, incluindo a remoção do apêndice, a cirurgia no intestino ou a remoção da vesícula biliar.

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Porém, se forem encontradas taxas semelhantes de infecção para todas as formas de cirurgias, isso significaria que dos 4,7 milhões de pacientes que se submetem a uma operação no Reino Unido anualmente, 70 mil seriam infectados por uma superbactéria .

O crescimento das superbactérias – que são resistentes aos antibióticos - está evoluindo rapidamente. Para os especialistas, essa crise poderia significar que, em um futuro breve, operações hospitalares comuns poderão se tornar mortais devido ao risco de infecções intratáveis.

Para a Dra. Ewen Harrison, da Universidade de Edimburgo, esta é uma grande preocupação para a saúde global e deve ser investigada ainda mais.

"Em todo o mundo, grandes quantidades de antibióticos foram consumidas para prevenir e tratar infecções no local cirúrgico. Por isso, reduzir as infecções do local cirúrgico ajudará a garantir um procedimento segura em todo o mundo”, defende Harrison.

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