Tamanho do texto

Ao todo, mais de 41 mil vagas foram fechadas na rede pública em dez anos; parte da culpa se dá pela má gestão econômica do Sistema Único de Saúde

Mesmo com ampliação de vagas na rede particular,  redução expressiva dos leitos hospitalares no SUS faz Brasil fechar 6 vagas por dia
Agência Brasil/Tânia Rêgo
Mesmo com ampliação de vagas na rede particular, redução expressiva dos leitos hospitalares no SUS faz Brasil fechar 6 vagas por dia

Ao longo de uma década, a rede pública fechou mais de 41 mil leitos hospitalares no SUS (Sistema Único de Saúde), o que equivale a menos 11 vagas todos os dias, conforme aponta o estudo feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CMN). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

Leia também: Mais da metade dos adolescentes que passam pelo SUS não se alimenta bem

Em tendência inversa, o sistema privado ampliou a capacidade em 18.300 novas vagas. Ainda assim, a perda dos leitos hospitalares no SUS é maior, o que colocou o País com 23.088 vagas a menos durante esse período.

Especialistas explicam que, em partes, a culpa pela redução geral das vagas é da mudança no atendimento psiquiátrico, que antes era centrado no ambiente hospitalar e, com movimento antimanicomial, passou a ser feito prioritariamente nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Leia também: Saiba quais são as principais propostas de Bolsonaro e Haddad para a saúde

De acordo com entrevista feita pelo jornal com a consultora da CMN Carla Albert, dos 41 mil leitos fechados na década, 21 mil eram psiquiátricos. Porém, em grande parte das demais especialidades, a baixa na oferta de leitos está longe de ser um bom sinal. "Muitas vezes, representa falta de recursos e, sobretudo, dificuldade de acesso da população a um atendimento indispensável."

Albert observa que na Pediatria e Obstetrícia, por exemplo, o atendimento hospitalar caiu expressivamente. Entre 2008 e 2018, os leitos para atendimentos de crianças foram reduzidos em 26%, enquanto na Obstetrícia, a redução na capacidade foi de 16,87%.

A consultora da Confederação Nacional dos Municípios acredita que parte da desativação dos leitos se dá muito mais por razões econômicas do que técnicas. "E isso desorganiza o sistema. Basta ver as ações judiciais para garantir o atendimento."

Leia também: Para 89% da população, a saúde no Brasil é vista como péssima, ruim ou regular

Além da área da Psiquiatria, a redução de vagas pode ser justificada por mudanças na Dermatologia e da Endocrinologia. "Basta ver o atendimento para pessoas com hanseníase. Hoje, é feito exclusivamente em ambiente ambulatorial." A consultora questiona, porém, a estagnação das vagas em Cardiologia. Em dez anos, apenas 23 foram abertas.

O Ministério da Saúde se manifestou sobre o questionamento da redução dos leitos hospitalares no SUS e informou que a tendência mundial é de "desospitalização". "É importante ressaltar que a redução no número de leitos gerais não afetou a oferta assistencial e a produção aprovada nos sistemas de informação do SUS. A quantidade de internações aprovadas no sistema em 2008 foi de 11,1 milhões e em 2017, de 11,6 milhões."


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.