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Lorina Gutierrez, que chegou a ser internada na ala psiquiátrica de um hospital desenvolveu uma doença autoimune após um câncer no ovário

A família da americana Lorina Gutierrez acreditava que ela estava possuída, mas a mulher desenvolveu uma rara doença no cérebro
Reprodução
A família da americana Lorina Gutierrez acreditava que ela estava possuída, mas a mulher desenvolveu uma rara doença no cérebro

A norte-americana Lorena Gutierrez, de 39 anos, começou a apresentar, aparentemente sem motivos, sintomas como alucinações, convulsões e paronoia. Ao longo de dois meses, o quadro da mulher foi piorando e ela começou a ficar muito errática e violenta, o que faz parte de sua família acreditar em causas sobrenaturais. "É como se ela estivesse possuída", disse Stephen Gutierrez marido de Lorina.

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Primeiro, médicos desconfiaram do abuso de álcool ou drogas. Depois, ela foi internada na ala psiquiátrica de um hospital com suspeita de esquizofrenia. Mas o caso da mulher "possuída"  só foi resolvido após a descoberta de um tumor no ovário.

"Uma noite, quando voltamos do pronto socorro, ela não conseguia dormir, e ficava falando coisas incompreensíveis. Depois, ela dizia: 'Nós temos que sair daqui'", relembra Stephen. A partir disso, o quadro da mulher só piorou. "Durante a avaliação psiquiátrica , ela tentou me dar um soco. Isso é muito fora da personalidade dela", conta o marido.

Após ser internada na ala psiquiátrica de um hospital, a mulher não respondeu ao tratamento e seu quadro continuou a piorar: ela perdeu as habilidades de falar, andar e de se alimentar sozinha. "Quando foi visitar minha esposa, joguei um pouco de água benta nela", diz Stephen, que tem três filhos com Lorina.

A mulher foi, então, transferida para o Hospital Presbiteriano Kaseman, na cidade de Albuquerque, onde ela finalmente foi diagnosticada com  encefalite do receptor de NMDA, uma doença cerebral autoimune causada por anticorpos que interrompem canais de ligação no cérebro.

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A mulher acabou desenvolvendo a condição por conta de um tumor nos ovários. O cisto, de 15 por 15 cm, foi retirado e a mulher passou por um forte tratamento com esteróides e plasmaférese  para tentar "limpar" o organismo dos anticorpos que estavam atacando seu cérebro. 

"Eu não me lembro de quase nada desses três meses", conta Lorina. "Mas foi uma experência muito traumática. Eu era uma mulher de 39 anos que não conseguia falar e estava utilizando fraldas", relembra a mulher. "Eu posso sofrer um relapso a qualquer momento, pois essa doença não tem cura, é apenas tratável", explica. Após o tratamento, a mulher " possuída " recebeu alta e foi liberada para ficar a família.

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