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Elaborada pela OMS, lista traz 10 questões que devem exigir mais atenção neste ano; entre elas, estão a poluição, a pandemia de influenza e o ebola

Os surtos de doenças preveníveis por vacinação integram a lista das dez principais ameaças para a saúde em 2019
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os surtos de doenças preveníveis por vacinação integram a lista das dez principais ameaças para a saúde em 2019

HIV, surtos de doenças preveníveis por vacinação, altas taxas de obesidade infantil e sedentarismo, além de impactos à saúde causados pela poluição, pelas mudanças climáticas e pelas crises humanitárias. Estes são alguns dos itens que integram a lista das 10 principais ameaças à saúde global em 2019, divulgada nesta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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A entidade pretende colocar em prática um novo plano estratégico, com duração de cinco anos, que deve beneficiar até 1 bilhão de pessoas. O objetivo é  garantir acesso à saúde e à cobertura universal de saúde; oferece proteção em caso de emergência; e permitir que essas pessoas desfrutem de melhor saúde e bem-estar.

De acordo com a OMS , as questões que vão demandar mais atenção da organização e de seus parceiros neste ano são:

  • HIV

Segundo a entidade, apesar dos progressos, a epidemia de AIDS continua a se alastrar pelo mundo, com quase 1 milhão de pessoas morrendo pela doença a cada ano. Desde o início, mais de 70 milhões de pessoas adquiriram a infecção e cerca de 35 milhões morreram. Atualmente, cerca de 37 milhões vivem com HIV no mundo. Um grupo cada vez mais afetado são as adolescentes e as mulheres jovens (entre 15 e 24 anos), que representam uma em cada quatro infecções por HIV na África Subsaariana.

  • Onda anti-vacina

Segundo a OMS, a relutância ou a recusa para vacinar, apesar da disponibilidade da dose, ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças evitáveis por imunização. O sarampo, por exemplo, teve aumento de 30% nos casos em todo o mundo. “[A vacina] é uma das formas mais custo-efetivas para evitar doenças – atualmente, previnem-se cerca de 2 milhões a 3 milhões de mortes por ano", diz a OMS. Além disso, 1,5 milhão de mortes poderiam ser evitadas se a cobertura global de vacinação tivesse maior alcance.

A OMS estima que nove em cada dez pessoas respiram ar poluído todos os dias, o que provoca doenças como o câncer
Shutterstock
A OMS estima que nove em cada dez pessoas respiram ar poluído todos os dias, o que provoca doenças como o câncer


  • Poluição do ar e mudanças climáticas

A OMS estima que nove em cada dez pessoas respiram ar poluído todos os dias. Poluentes microscópicos podem penetrar nos sistemas respiratório e circulatório, danificando pulmões, coração e cérebro, o que resulta na morte prematura de 7 milhões de pessoas todos os anos por câncer, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças cardiovasculares e pulmonares.

  • Doenças crônicas não transmissíveis

Dados da entidade mostram que doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares, são responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo – o equivalente a 41 milhões de pessoas. Isso inclui 15 milhões de pessoas que morrem prematuramente (entre 30 e 69 anos), sendo que mais de 85% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda.

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  • Pandemia de influenza

O mundo enfrentará outra pandemia de influenza – a única coisa que ainda não se sabe é quando chegará e o quão grave será. O alerta é da própria OMS, que diz monitorar constantemente a circulação dos vírus para detectar possíveis cepas pandêmicas.

  • Cenários de fragilidade e vulnerabilidade

A entidade destacou que mais de 1,6 bilhão de pessoas – 22% da população mundial – vivem em locais com crises prolongadas (uma combinação de fatores como seca, fome, conflitos e deslocamento populacional) e serviços de saúde mais frágeis. Nesses cenários, metade das principais metas de desenvolvimento sustentável, incluindo saúde infantil e materna, permanece não atendida.

  • Resistência antimicrobiana

A resistência antimicrobiana – capacidade de bactérias, parasitas, vírus e fungos resistirem a medicamentos – ameaça, segundo a OMS, mandar a humanidade de volta a uma época em que não conseguia tratar facilmente infecções como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose. “A incapacidade de prevenir infecções pode comprometer seriamente cirurgias e procedimentos como a quimioterapia”, alertou.

Em 2018, a República Democrática do Congo passou por surtos de ebola que se espalharam para grandes cidades
Shutterstock/Reprodução
Em 2018, a República Democrática do Congo passou por surtos de ebola que se espalharam para grandes cidades


  • Ebola

No ano passado, a República Democrática do Congo, na África, passou por dois surtos de ebola que se espalharam para cidades com mais de 1 milhão de pessoas. Uma das províncias afetadas também está em zona de conflito ativo. Em dezembro, representantes dos setores de saúde pública, saúde animal, transporte e turismo pediram à OMS e seus parceiros que considerem 2019 um "ano de ação sobre a preparação para emergências de saúde".

  • Atenção primária

Sistemas de saúde com atenção primária forte são classificados pela entidade como necessários para se alcançar a cobertura universal de saúde. No entanto, muitos países não têm instalações de atenção primária de saúde adequadas. Em outubro de 2018, todos os países-membros se comprometeram a renovar seu compromisso com a atenção primária de saúde, oficializado na declaração de Alma-Ata em 1978.

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  • Dengue

Um grande número de casos de dengue é comumente registrado durante estações chuvosas de países como Bangladesh e Índia. Dados da OMS mostram que, atualmente, os casos vêm aumentando significativamente e que a doença já se espalha para países menos tropicais e mais temperados, como o Nepal. A estimativa é que 40% de todo o mundo esteja em risco de contrair o vírus – cerca de 390 milhões de infecções por ano.


*Com informações da Agência Brasil