Nos últimos dias, foi divulgado um estudo realizado na França em que a cloroquina – usada para tratar a malária – e a hidroxicloroquina – prescrita para casos de artrite reumatoide e lúpus – diminuíram a contagem viral e tornaram-se uma esperança na luta contra o coronavírus.

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Cloroquina e hidroxicloroquina são usados para tratar, principalmente, malária, artrite e lúpus

Após a divulgação dos primeiros resultados positivos, porém, o fármaco começou a desaparecer das prateleiras das farmácias. Preocupados com os riscos, profissionais alertam para o fato de que a eficácia desses medicamentos para o tratamento, por enquanto, é experimental. 

“Parece claro que frente a uma situação grave se queira usar qualquer recurso viável para sobreviver, no entanto, temos que lembrar que condutas médicas são baseadas em princípios de ética e não de achismos”, defende Susanne Edinger, infectologista da Cia da Consulta, em São Paulo. 

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A médica ainda reforça que mesmo os medicamentos já autorizados exigem prescrição e acompanhamento médico. "As pessoas que se beneficiam do tratamento são doentes graves e ele não está indicado de forma profilática ou para pacientes com sintomas leves. A medicação repercute em vários efeitos colaterais graves se incorretamente utilizada”, diz Susanne. 

Não é hora de sair comprando remédio

Um dos responsáveis pela produção do medicamento no Brasil e pelos testes iniciais, a farmacêutica EMS reforça, em nota, a recomendação para que as pessoas não comprem os medicamentos nas farmácias caso não haja necessidade. “Se alguém acha que pode prevenir a doença e comprar o produto sem prescrição médica , como a empresa soube que ocorreu nos últimos dias, isso pode provocar um desabastecimento desnecessário nas farmácias”. 

A empresa recomenda que a população só consuma o produto sob prescrição médica e reforça:  “Não há qualquer respaldo científico que comprove eficácia do medicamento para a prevenção do coronavírus”, diz a nota. 

A infectologista Susanne Edinger também recorda o fato de que muitos pacientes de uso contínuo desses remédios podem sofrer caso haja o desabastecimento. “Além de não ser recomendado para casos leves se impede que pessoas que já estão em uso por outros problemas de saúde tenham acesso ao medicamento o que prejudica o tratamento”.

Para evitar problemas dessa natureza, além do uso irresponsável da hidroxicloroquina, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) restringiu a venda dos remédios com a retenção de atestado apenas para pessoas com as três doenças tratadas pelos medicamentos: malária, lúpus e artrite reumatoide.

Brasil se prepara para uso do medicamento

Ainda considerado um medicamento experimental, a hidroxicloroquina pode ser autorizada para alguns pacientes com  Covid-19 . De acordo com o secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, a eventual liberação dos remédios terá caráter experimental e valerá apenas para pacientes internados em estado grave. 

Enquanto isso, os medicamentos seguem em pesquisas clínicas e testes pelas farmacêuticas autorizadas. Em nota, a EMS afirmou estar  iniciando estudos em vários centros do Brasil para checar a eficácia do uso de hidroxicloriquina em pacientes que estão em tratamento contra a Covid-19 e o possível benefício de sua associação à azitromicina, antibiótico cujo uso está relacionado ao medicamento nas pesquisas mais otimistas sobre o assunto. 

Segundo a empresa, o medicamento será usado inicialmente em pacientes voluntários graves, depois em moderados. A avaliação será feita em 500 a 600 pacientes, divididos em dois grupos: os que receberão doses de hidroxicloroquina por 10 dias e os que tomarão o medicamento associado à azitromicina , também por 10 dias. 

Já o presidente Jair Bolsonaro, que concorda com a aposta no remédio, afirmou que a produção da hidroxicloroquina será maximizada com ajuda dos laboratórios do exército . “Agora há pouco, me reuni com o senhor ministro da Defesa, onde decidimos que o laboratório químico e farmacêutico do Exército deve, imediatamente, ampliar a sua produção desse medicamento”, afirmou o presidente no sábado (21).


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