Há cerca de um mês, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou temporariamente as práticas de telemedicina como forma de conciliar a alta demanda em saúde com a necessidade de afastamento social durante a pandemia. O recurso, porém, mesmo oferecendo praticidade em muitas situações, pode esbarrar em obstáculos burocráticos. 

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Prescrição para medicamentos controlados pode ser enviada

O mais comum deles - alvo de dúvidas entre muitos pacientes - é a prescrição de medicamentos controlados ou regulares. “Quando soube que eu não deveria mais sair de casa, a primeira coisa que pensei foi em como eu conseguiria a receita dos meus remédios”, confessa a aposentada Adna Ferraz, que está inserida no grupo de risco para o coronavírus e faz uso de medicamentos cuja venda sem prescrição é proibida. 

“Eu já sei quanto preciso tomar, a hora e o remédio, mas sem a receita nada disso vale nada”, explica a aposentada. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, a prescrição para medicamentos de uso controlado não pode ser emitida por meio digital, como já é comum entre a maioria das receitas médicas. 

Apesar disso, o diretor médico da rede de clínicas Cia da Consulta, Felipe Folco explica casos como o de Adna podem ser atendidos. “Durante a pandemia, nós expandimos os serviços clínicos . Entre as alternativas que criamos para lidar com a pandemia, está a entrega das receitas em domicílio”, diz. Além disso, o paciente também pode buscar pessoalmente o documento na sede física da clínica. 

Alternativas parecidas são oferecidas por outros profissionais e redes e situação de emergência. Entre eles está a médica psiquiatra Sara Varela, que adotou uma nova maneira de lidar com os pacientes. “Aos meus pacientes regules eu tenho feito envios por sedex ou com serviço de motoboy. É um pouco problemático porque eu me exponho na rua ao fazer os envios, mas eu sou profissional de saúde. Eles precisam estar mais seguros que eu”, explica.

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Importante destacar, porém, que toda prescrição requer uma consulta prévia - como aconteceria em um encontro presencial. Dessa forma, o profissional de saúde pode acompanhar a evolução de cada paciente e julgar se o medicamento deve ser suspenso ou alternado. 

Para maioria dos casos, envio digital é possível

Apesar de os medicamentos controlados exigirem uma segurança mais rigorosa na prática da prescrição, é importante reforçar que outros medicamentos para tratamento de necessidades agudas ainda podem ser receitados à distância, com prescrição enviada por e-mail, fax ou plataforma autorizada. 

“Utilizo uma plataforma que permite a troca de exames, um receituário eletrônico além da assinatura eletrônica para receitas”, explica a médica nutróloga Ana Luísa Vilela. Para ela, o recurso facilita atendimentos emergenciais. “O paciente pode receber a atenção que ele precisa sem sair de casa e principalmente sem exposição desnecessária aos riscos”, diz. 


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