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Remdesivir foi criado para atuar como antiviral

BRUXELAS — A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês), um dos braços institucionais da União Europeia (UE), passou a recomendar oficialmente o uso do antiviral remdesivir em pacientes adultos e adolescentes a partir de 12 anos que sofrem da Covid-19 e necessitam de auxílio respiratório. Na prática, a decisão da reguladora torna o fármaco o primeiro tratamento oficial contra a doença no continente europeu.

A autorização condicional da EMA depende da aprovação da Comissão Europeia , o órgão executivo do bloco, o que é visto apenas como uma formalidade burocrática. A autorização deve ocorrer em até uma semana, será válida para um ano e vigorará em todos os 27 países do bloco, ainda que não haja evidências suficientes sobre a eficácia do antiviral, produzido pela farmacêutica americana Gilead, e seus efeitos colaterais. A companhia terá de informar até dezembro para submeter as informações à UE.

A partir do aval da Comissão Europeia, os médicos poderão prescrever o remdesivir em todas as nações que compõem o bloco. O preço do remédio ainda não foi anunciado. Nos Estados Unidos, cada dose do medicamento — que é aplicado de forma intravenosa — chega a custar US$ 5.080 (R$ 26.976). Na Índia, onde a fórmula tem sido produzida por farmacêuticas genéricas, a droga será oferecida entre R$ 350 e R$ 420.

Um dos principais desafios da Gilead diante dos ensaios clínicos que indicaram resultados promissores no último mês é garantir o fornecimento do fármaco em escala global. Na última segunda-feira, a farmacêutica anunciou que planeja dobrar a previsão de oferta do remdesivir até o fim deste ano. Agora, a Gilead espera entregar dois milhões de unidades do medicamento até dezembro.

Testes promissores

O remdesivir foi criado para atuar como um antiviral de espectro amplo, ou seja, capaz de interromper a síntese de material genético de vários vírus. A intenção original era combater o ebola, mas os resultados não se mostraram promissores. A droga tem sido adotada em caráter experimental por vários países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e Japão.

Em maio, o Instituto Nacional de Saúde (NIH) americano anunciou que testes do remdesivir mostraram que o medicamento oferece mais benefício para pacientes da Covid-19 que precisam de mais oxigênio, mas sem necessitade de ventilação mecânica. No início do mês, Índia e Coreia do Sul entraram no rol de países que liberaram o uso do fármaco em caráter experimental.

No dia 1º de junho, a Gilead divulgou números de um estudo desenvolvido para avaliar a segurança e eficácia de um tratamento de 5 e 10 dias com Remdesivir, em atendimento a pacientes com a Covid-19 moderada, em comparação com o do atendimento padrão feito isoladamente.

Onze dias após o início do procedimento, uma proporção maior de pacientes no grupo de tratamento de 5 dias alcançou melhora no estado clínico em relação ao grupo de tratamento padrão, informou a Gilead.

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