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Reprodução/Facebook
Bento sofreu um queimadura causada pelo álcool em gel

Um acidente que parece simples quase custou a visão do pequeno Bento Smirelli, de cinco anos. De acordo com a mãe do menino, Camila Mendes, um esguicho da válvula de pressão do álcool em gel foi o responsável pela lesão, causada pelo contato do produto com o olho da criança.

“O Bento foi higienizar a mão e, quando ele apertou a válvula do álcool pela primeira vez, ela falhou porque estava entupida por dentro. Quando ele tentou de novo, o jato foi mais forte e direto no olho dele”, conta Camila. “Quando isso aconteceu ele começou a gritar e chorar e eu corri para lavar. Tentei tirar com água, depois levei ele para o banho”, diz.

“Depois de alguns minutos no banho eu percebi que não estava funcionando. Ele estava tremendo e eu perguntei o porquê, ele disse ‘é de dor, mãe’. Nesse momento eu arrumei ele e fomos correndo para o médico ”, recorda a mãe. De acordo com ela, um exame rápido com colírio especial apontou que quase 100% da córnea de Bento havia sido queimada.

Camila conta que “ele recebeu tratamento para a dor e, quando estávamos quase encerrando a consulta, a oftalmologista sugeriu que fosse sedado para tirar todo o resíduo do olho. Depois disso, ele foi liberado no mesmo dia, mas com receitas para colírio antibiótico e remédio para dor”. Felizmente, o menino recupera-se bem e, em breve, deve voltar a enxergar normalmente. 

De acordo com Diego de Queiroz, oftalmologista da Cia. da Consulta, casos como o de Bento exigem bastante cuidado. “O que aconteceu foi uma queimadura química , o que pode causar um dano sério na córnea, que é a parte mais externa do olho. Além disso, a sensibilidade nesta área do corpo é altíssima, por isso tanta dor quando um acidente acontece.”

“O cuidado mais importante é a lavagem imediata para reduzir o contato do produto com os olhos. Dependendo da quantidade do produto, como no caso da criança, é importante ir ao pronto socorro receber os cuidados adequados. Quanto mais tempo até a assistência adequada, maiores podem ser os danos”, explica o profissional de saúde.

Camila, que compartilhou sua experiência nas redes sociais, também destaca a importância de alertar adultos e responsáveis para o risco. “Muitas pessoas me julgaram, dizendo que alguém deveria estar perto da criança no momento. Eu estava perto, mas mesmo assim aconteceu, como poderia ocorrer com um adulto também. Ele não ingeriu o produto, não usou do jeito errado. Foi um acidente”, reforça.


Profissionais de saúde alertam para outros acidentes 


Apesar de fundamental para a higiene adequada durante a pandemia e muito comum em residências e estabelecimentos, o álcool em gel deve ser encarado como um produto químico e inflamável que, sim, oferece riscos.

Além do contato com os olhos e o risco de ressecamento da pele, o álcool também merece muita atenção para o risco de queimaduras ao usá-lo antes de cozinhar, por exemplo

Para minimizar os riscos, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), João Gomes, salienta que o reforço na higiene deve continuar, mas em casa, o melhor é higienizar as mãos lavando-as bem, com água e sabão, por, pelo menos, 20 segundos. “O álcool em gel deve ser utilizado em lugares onde não é possível lavar as mãos, quando se está fora de casa”, diz.

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