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Existem cerca de 168 vacinas sendo pesquisadas e testadas em todo mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS

O mundo todo quer saber quando a vida voltará ao normal, e para muitos isso está ligado à aprovação de uma vacina contra a Covid-19. Será, porém, que a normalidade voltará de imediato? A realidade é que depois do processo de licenciamento, uma série de outras etapas precisam acontecer para garantir que a  imunização  seja garantida, o que pode levar mais tempo do que se imagina. 


Existem cerca de 168 vacinas sendo pesquisadas e testadas em todo mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cientistas de todo planeta fazem o possível e o impossível para conseguir frear a pandemia e fazer o mundo “voltar ao normal”.

O mundo tem esperança de que, com a vacina, a vida voltará a ser como era antes, com comércios e estabelecimentos reabertos sem restrições e possibilidade de ir às ruas sem usar máscaras ou manter distanciamento social.

Apesar do cenário de esperança, é preciso ter calma, já que as mudanças não acontecem de um dia para o outro.

Portanto, quando vamos voltar ao normal? Enquanto não houver uma vacina licenciada, será difícil prever. É o que afirma a mestre em Vacinologia e Desenvolvimento Clínico Farmacêutico pela Universidade de Siena e gerente médica da farmacêutica Merck Sharp and Dohme (MSD), Thais Moreira.

Estratégia de distribuição

Depois do licenciamento da vacina aprovada, as doses começarão a ser distribuídas. Para isso, é preciso avaliar o número de doses adquiridas pelo Ministério da Saúde e qual a demanda total do país.

Thais lembra que a quantidade de doses pode ser limitada. Logo, essa etapa pode levar meses para ser concluída.

Por se tratar de um vírus extremamente contagioso e letal para determinadas pessoas, espera-se que a campanha de vacinação se inicie com pessoas consideradas do grupo de risco (profissionais da área da saúde, profissionais da área de segurança, idosos em casas de repouso, pessoas que cumprem pena no sistema penitenciário, etc).

Também existe a possibilidade de a distribuição ser realizada por critérios geográficos. Assim, as doses podem chegar primeiro aos lugares mais impactados pelo vírus e, por último, em locais em que a situação é considerada mais branda.

Eficácia da dose

Mesmo com tantas vacinas atualmente em estudo e desenvolvimento, ainda não é possível dizer a porcentagem de eficácia da imunização de nenhuma das candidatas.

“Devido a nossa urgência diante do coronavírus, é possível que uma vacina seja aprovada com 60% a 70% de eficácia ”, explica Thais. “Daí será preciso acompanhar quem foi vacinado para verificar se houve proteção e por quanto tempo, além de entender se houve hospitalização”, explica Thais.

“Se percebermos que a proteção não é de longa duração, será preciso instituir novas doses”, acrescenta a especialista.

Resposta biológica

Para que haja imunização, o organismo humano precisa reagir após a dose para criar anticorpos . Esse processo pode variar de pessoa para pessoa.

“Não é um passe de mágica, do tipo ‘tomei hoje, amanhã está tudo liberado’”, aponta Thais. “A vacina pode demorar de 15 dias até um mês para fazer efeito no organismo. Existe um tempo biológico”, explica.

Da mesma forma, há possibilidade de que uma vacina não seja eficaz em casos específicos . “A vacina A pode ser super eficaz em jovens e adultos, mas pode não funcionar em idosos, por exemplo”, explica.

O ideal, segundo ela, é que não apenas uma, mas várias opções de vacina se mostrem viáveis.

Barreira imunológica

Se uma pessoa toma a vacina contra a Covid-19 , isso não significa que os riscos não existem mais. Isto porque existe um número de pessoas que precisam estar imunizadas para o mundo voltar ao normal

“É preciso que uma porcentagem da população brasileira tenha se vacinado para que a gente vire a página, e este número não é baixo”, justifica Thais. É o que se chama de imunidade de rebanho.

Essa porcentagem dependerá do nível de eficácia da vacina. Caso a eficácia seja de 70%, por exemplo, então ao menos 60% da população precisaria ser vacinada para que possa existir uma retomada.

Plano B

Mesmo que as chances de sucesso sejam grandes, é possível que uma das vacinas em testagem não consiga imunizar humanos contra a Covid-19. Mas cientistas e pesquisadores do mundo todo estão trabalhando para conseguir mais de uma solução, por meio de diversas técnicas inéditas.

“Existe mobilização de inúmeras pessoas e instituições, de diversos pontos de vista. Fico maravilhada de ver quantas ideias estão sendo exploradas ao mesmo tempo”, diz Thais.

O “lado ruim” é que, mesmo com tantas iniciativas, o cenário todo ainda é um ponto de interrogação até mesmo para a ciência. Logo, deve-se esperar pela imunização com cautela e realismo, entendendo que a situação não vai passar de uma hora para outra.

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