Não há dados adequados sobre uso de vacinas diferentes na 1° e 2° doses, diz OMS
EPA/BBC
Não há dados adequados sobre uso de vacinas diferentes na 1° e 2° doses, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira que não existem, no momento, "dados adequados" sobre os efeitos de mudar de vacina entre a primeira e a segunda dose, como a França pretende fazer com as pessoas de menos de 55 anos que receberam a primeira injeção do imunizante contra a Covid-19 de Oxford/AstraZeneca.

"Não há dados adequados para dizer se é algo que pode ser feito e, portanto, os especialistas da organização concluíram que injetar vacinas diferentes na primeira e segunda doses não é algo que possam, no momento, recomendar", disse Margaret Harris, porta-voz da OMS, em coletiva de imprensa em Genebra.

A porta-voz recordou a posição adotada pelo Grupo de Especialistas em Assessoria Estratégica (SAGE) sobre Imunização em fevereiro, no momento de suas recomendações sobre a vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca e a partir de informações sobre um possível vínculo entre o produto e efeitos colaterais muito raros.

Também destacou que, na ocasião, os cientistas pediram mais pesquisas científicas sobre a possibilidade do uso de duas vacinas contra a Covid-19.

Na França, as pessoas com menos de 55 anos vacinadas contra a doença com a primeira dose da AstraZeneca receberão a segunda dose de outro imunizante — da Pfizer/BioNTech, ou da Moderna, anunciou a autoridade de saúde francesa nesta sexta-feira. Antes da interrupção, 533.000 pessoas, sobretudo profissionais da saúde, receberam a primeira dose da vacina no país.

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Dominique Le Guludec, chefe da autoridade de saúde francesa, disse que o país ainda recomenda o uso da vacina AstraZeneca para pessoas com mais de 55 anos já que mais de 95% das mortes por Covid-19 ocorrem nessa faixa etária e os riscos de coagulação sanguínea associados à inoculação são menores em pacientes mais velhos.

"Esta vacina vai salvar vidas e se quisermos vencer a batalha contra o vírus, temos que usar todas as armas que temos", disse Le Guludec.

Depois que os órgãos reguladores europeus descreveram uma "possível ligação" entre o imunizante e alguns relatos de coágulos sanguíneos raros, mais países ao redor do mundo recomendaram seu uso apenas para idosos.

Outros suspenderam completamente a vacinação com o imunizante, até que mais informações estejam disponíveis, embora os reguladores europeus tenham afirmado que os benefícios da vacina superam os riscos para a maioria das pessoas.

O painel consultivo de segurança de vacinas da OMS disse na quarta-feira que uma ligação causal entre a vacina da AstraZeneca e casos raros de coágulos sanguíneos e níveis baixos de plaquetas é "considerada plausível, mas não foi confirmada".

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