Covid: Pfizer identifica versões falsas de vacinas vendidas no México e Polônia
Patrick T. Fallon/Divulgação
Covid: Pfizer identifica versões falsas de vacinas vendidas no México e Polônia

O laboratório norte-americano Pfizer confirmou que doses de sua vacina contra a Covid-19 apreendidas no México e Polônia, onde eram vendidas por até mil dólares a unidade, eram falsas.

"A Pfizer identificou versões falsas de sua vacina contra a Covid-19 no México e Polônia", afirmou a empresa na quarta-feira em um comunicado, no qual também destaca que trabalha com governos, fornecedores e profissionais de saúde para "para combater o comércio ilegal".

Uma fonte da secretaria de Saúde do estado mexicano de Nuevo León afirmou que 80 pessoas foram vacinadas com o fármaco falso, mas não revelou mais detalhes.

O governo mexicano anunciou a apreensão das vacinas falsas em uma clínica clandestina no dia 17 de fevereiro e várias pessoas foram detidas. O Ministério Público abriu uma investigação. A substância, que foi encontrada em geladeiras de cerveja, tinha números de lote e datas de vencimento falsas, de acordo com o jornal norte-americano Wall Street Journal.

O líquido nos frascos confiscados na Polônia era uma substância cosmética, possivelmente um creme anti-rugas, segundo a Pfizer.

"Somos conscientes de que no atual ambiente em que vivemos — estimulado pela facilidade e conveniência do comércio eletrônico, assim como pelo anonimato oferecido pela internet — vai acontecer um aumento no número de fraudes, falsificações e outras atividades ilícitas relacionadas com as vacinas e os tratamentos contra a Covid-19", afirmou a empresa no comunicado.

O primeiro lote da vacina da Pfizer está previsto para chegar ao Brasil na próxima semana. As doses poderão ser distribuídas somente para capitais e outros centros urbanos de grande porte, por falta de capacidade na maior parte das cidades de armazenar o imunizante, que demanda baixas temperaturas. A ideia é debatida internamente no Ministério da Saúde e tem o apoio de secretários estaduais e municipais da área.

Em março, uma reportagem da revista Piauí denunciou que um grupo de políticos e empresários, além de seus familiares, teria recebido a primeira dose da vacina da Pfizer, que teriam comprado sem repassar doses ao SUS, conforme obriga a lei brasileira.

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Nesta quinta-feira, a Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD) da Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza uma operação para cumprir oito mandados de busca e apreensão no escritório de uma empresa e de seus representantes, em Recife, Pernambuco. O alvo, de acordo com a corporação, seria envolvido em um esquema de oferta fraudulenta de lotes da vacina de Oxford/AstraZeneca para imunização da Covid-19 a municípios brasileiros.

Segundo as investigações, o alvo da operação oferecia lotes da vacina por meio de uma empresa americana pelo valor de U$ 7,90 (cerca de R$ 44). Entre os municípios que receberam a oferta estão Duque de Caxias e Barra do Piraí, no estado do Rio de Janeiro, e Porto Velho, em Rondônia.

OPAS faz alerta sobre vacinas falsas

Na quarta-feira, o vice-diretor da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, fez um alerta sobre a oferta de vacinas contra a Covid-19:

"Recebemos informações do México, Argentina e Brasil de que algumas doses foram oferecidas nas redes sociais", afirmou, ao ser consultado sobre a informação do WSJ a respeito da venda de vacinas fraudulentas do laboratório Pfizer no México.

Barbosa acrescentou que este é um problema para as autoridades de saúde e policiais:

"Os mercados ilegais oferecem vacinas que provavelmente são falsificadas, não são a vacina real, ou talvez estejam roubando-as de um centro de saúde e ninguém pode garantir que estejam armazenadas corretamente. Então, claramente é um problema, não só para as autoridades de saúde, mas também para a polícia identificar esta atividade criminosa", afirmou.

O vice-diretor da OPAS insistiu que só se pode confiar nas vacinas administradas pelas autoridades de saúde, porque só essas têm a garantia de serem "seguras e eficazes" e de terem sido conservadas nas condições adequadas.

"Portanto, é muito importante rejeitar a compra de qualquer tipo de vacina que se ofereça nas redes sociais e na internet. Isso é um risco para sua saúde", enfatizou.

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