CoronaVac: Butantan deve entregar menos da metade das doses previstas para maio
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CoronaVac: Butantan deve entregar menos da metade das doses previstas para maio

A produção da vacina CoronaVac  foi paralisada completamente pelo Instituto Butantan por falta de insumos. Um lote de 10 mil litros de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) está barrado na China.

É a primeira vez que o instituto suspende a produção da vacina, produzida em parceria com o laboratório chinês SinoVac. O lote de IFA que aguarda liberação do governo chinês é suficiente para a produção de cerca de 18 milhões de doses.

O diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira que o instituto deve entregar ao Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), menos da metade das doses previstas para o mês de maio: 5 milhões em vez de 12 milhões.

"O mês ainda não terminou. Nós não estamos oficialmente atrasados. Estamos dizendo que vai atrasar porque não vai ter mais IFA", declarou.

O cronograma deve ser recuperado em junho, segundo ele, se os insumos adquiridos chegarem ao Brasil sem novos atrasos. Na última quarta-feira, o Butantan atingiu a marca de 46 milhões de doses entregues, meta da primeira parte do contrato firmado com o governo federal. A previsão é de entregar mais 54 milhões de imunizantes até 30 de setembro.

Regiane de Paula, coordenadora-geral do Programa Estadual de Imunização de São Paulo, disse esperar que a vacinção no estado não seja afetado pela paralisação da produção do Butantan.

"Quando vamos parar? Nós esperamos que o Programa Estadual de Imunização do estado de São Paulo não pare. Podemos diminuir o ritmo, mas nós, até este momento, não paramos com nenhuma outra capital. Esperamos que o governo federal se sensibilize com todos os brasileiros e tome as atitudes que deve tomar", afirmou ela.

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acompanhou nesta manhã a liberação de mais 1,1 milhão de doses da CoronaVac ao PNI — o último lote com os insumos em estoque. Ele atribuiu a retenção do produto em território chinês a recentes declarações feitas pelo governo brasileiro.

Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro insinuou que a China pode ter criado o novo coronavírus em laboratório como parte de uma "guerra química". O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi gravado declarando que o coronavírus foi "inventado" na China.

"Faço um apelo para as autoridades chinesas. Os brasileiros não pensam como o presidente da República do Brasil. As ofensas que foram proferidas desastrosamente pelo governo federal aos chineses representam não somente ofensa ao povo chinês, mas aos brasileiros que, sem vacina, podem perder suas vidas", disse Doria.

Dimas Covas afirmou também que o instituto tem 6 milhões de doses da sua própria vacina, a ButanVac, em produção, e deve chegar a 18 milhões de imunizantes em junho. O Butantan recebeu na quinta-feira mais 15 questionamentos da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), cujas respostas são necessárias para a liberação federal do início dos testes da nova vacina em humanos.

"Vamos responder a esses questionamentos o mais rapidamente possível, para que possamos iniciar o estudo clínico com essa vacina. Porque ela é que vai trazer independência total no segundo semestre. Temos uma grande capacidade de produção e poderemos ajudar muito o país com essa vacina, que não dependerá de importação de matéria-prima", disse o diretor do Butantan.

Fiocruz tem IFA para produção até semana que vem

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz, o Bio-Manguinhos, anunciou na quinta-feira que vai  receber uma nova remessa do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) no dia 22 de maio. Uma segunda carga da substância, essencial para a produção de vacinas, deve chegar no dia 29 de maio. Questionada, a fundação não soube informar a quantidade de IFA que irá receber.

Com a quantidade do insumo disponível atualmente na Fiocruz, a instituição consegue sustentar a produção do imunizante Oxford/AstraZeneca até cerca de 20 de maio, o que garante entregas de vacinas até a primeira semana de junho. As novas remessas permitem que os laboratórios de Bio-Manguinhos sustentem a entrega de novas doses até a terceira semana de junho.

No entanto, a produção de vacinas pela Fiocruz será interrompida por alguns dias na semana que vem, até a chegada de novo lote do IFA. A fundação reforça que, a princípio, não haverá impacto na entrega de vacinas, realizada semanalmente, às sextas-feiras, conforme acordo firmado com o Ministério da Saúde.

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