Casal foi encontrado morto em banheiro de apartamento no Leblon, Rio de Janeiro
Montagem feita com fotos de redes sociais
Casal foi encontrado morto em banheiro de apartamento no Leblon, Rio de Janeiro

Caso não esteja nas condições de instalação adequadas, o aquecedor a gás pode produzir um gás venenoso — o monóxido de carbono — capaz de matar qualquer ser humano em poucos minutos . Quem faz o alerta é a química Tatiana Saint-Pierre, do Departamento de Química do Centro Técnico-Científico (CTC) da PUC-Rio. Segundo ela, o fenômeno, chamado de combustão incompleta, pode ter acontecido no episódio do  casal que foi encontrado morto no Leblon nesta terça-feira.

A explicação se relaciona com o nível de confinamento do ambiente. Para acontecer da maneira correta, a combustão sequestra o gás oxigênio disponível, permitindo que as chamas dentro do aquecedor se mantenham. Esta é a combustão completa. Contudo, se o cômodo for mal ventilado, a combustão roubará todo o oxigênio existente no local e, na falta dele, passará a produzir o monóxido de carbono.

Ao contrário do gás encanado — que, para evitar acidentes, tem um odor artificial adicionado quimicamente —, o monóxido de carbono não produz cheiro algum, o que dificulta muito o seu reconhecimento.

— É muito importante avisar que esse tipo de acidente em geral não é provocado por vazamento de gás, e sim pela intoxicação por monóxido de carbono. Quando se diz que foi por vazamento de gás, logo pensamos que o aquecedor estava velho ou quebrado e que um conserto poderia ter reparado isso. Mas, em se tratando de monóxido de carbono, até aquecedores novíssimos e sem defeitos podem causar uma tragédia — diz Saint-Pierre.

Segundo ela, apartamentos onde o aquecedor fica no banheiro são mais propensos a apresentar esse tipo de problema, devido à pouca ventilação. O risco se intensifica nesta época do ano, em que, por causa do inverno, as pessoas tomam banhos mais quentes e longos.

— Provavelmente foi o que aconteceu com o casal. Tomando banho juntos, acabaram gastando mais tempo. E, por causa do frio, podem ter decidido fechar a janela do banheiro. É uma possibilidade — diz a especialista.

De acordo com Saint-Pierre, um dos primeiros sinais da combustão incompleta é a presença do gás carbônico. Isso porque, antes de gerar o monóxido de carbônio, a falta de oxigênio provoca no ambiente um excesso de gás carbônico, outro produto da combustão. Embora o gás carbônico não seja propriamente venonoso, ele pode causar, se ingerido em grandes quantidades, dor de cabeça, dificuldade para respirar, tonturas e desmaio, entre outros sintomas.

— Na combustão incompleta, a pessoa primeira desmaia com o gás carbônico e depois morre com o monóxido. É uma morte por asfixia. Por isso, se uma pessoa é encontrada desmaiada nessas circunstâncias, mas com vida, precisa ser submetida à oxigenação urgentemente. Mesmo sobrevivendo, ela pode ter sequelas — afirma Saint-Pierre.

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Como evitar tragédias

Para prevenir a intoxicação por monóxido de carbono, é necessário garantir a ventilação adequada do ambiente em que o aquecedor está instalado, conforme a norma brasileira 13103, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Caso seu aquecedor fique no banheiro, mantenha janelas e basculantes livres e abertos, pois eles fazem a ventilação superior do cômodo. Outro cuidado importante é manter uma báscula aberta, com no mínimo 1,5m de distância acima do piso e 600 cm².

Na parte inferior também deve haver ventilação. Ela pode ser feita por um corte de 3 cm na porta ou instalação de veneziana com área mínima de 200 cm².

De acordo com a Naturgy, empresa responsável pela distribuição de gás no Rio de Janeiro, locais em que fogões e aquecedores estão instalados devem ter ventilação permanente inferior e superior para a renovação do ar.

No caso dos aquecedores, as chaminés devem ter no mínimo 35cm de altura e no máximo 2m de comprimento. Um terminal em "T" deve ser instalado no fim da chaminé, no exterior da edificação.

Além disso, certifique-se de que os equipamentos a gás da sua casa estão devidamente vistoriados. Faça revisões anuais com empresas especializadas. Comprar um detector de monóxido de carbono também é uma opção. O aparelho está disponível no mercado a preços variados, a partir de R$ 150.

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