Covid-19 pode causar inflamação semelhante ao Alzheimer, diz pesquisa
Matheus Barros
Covid-19 pode causar inflamação semelhante ao Alzheimer, diz pesquisa

Além dos danos já conhecidos a pulmões e coração, o SARS-CoV-2 também afetou o cérebro de diversos pacientes que tiveram um quadro grave da infecção. Entre os problemas neurológicos causados pela doença, pode-se incluir névoa no cérebro, perda de memória, alucinações, dor de cabeça e até dificuldade na concentração, sinais parecidos com o Alzheimer e o Parkinson.

Os cientistas tentam entender a presença do vírus no cérebro dos pacientes, pois em algumas autópsias foi possível encontrar rastros do SARS-CoV-2 no tecido cerebral, enquanto outros não revelaram nada significativo.

“Os cérebros de pacientes que morreram de Covid-19 grave mostraram marcadores moleculares profundos de inflamação, embora esses pacientes não apresentassem nenhum sinal clínico de comprometimento neurológico”, disse o neurologista Tony Wyss-Coray da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

De acordo com a pesquisa publicada na Nature, a Covid-19 pode causar danos neurológicos a pacientes da doença, mesmo que eles não apresentem sintomas cognitivos. Para a conclusão do estudo, os cientistas compararam o tecido cerebral de 8 pessoas que morreram em decorrência da doença com o de 14 pessoas que morreram de outras causas.

A comparação mostrou que as células cerebrais de pacientes da Covid-19 apresentaram genes únicos que possuem relação com a neuroinflamação, enquanto a dos outros pacientes não apresentaram essas características.

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Para os especialistas, a Covid-19 está causando uma inflamação significativa da barreira hematoencefálica – barreira responsável por proteger o cérebro de infecções. E, apesar de estar mantendo o vírus da Covid-19 fora, os efeitos inflamatórios da doença seguem alcançando o cérebro.

“A infecção viral parece desencadear respostas inflamatórias por todo o corpo que podem causar sinalização inflamatória através da barreira hematoencefálica, que por sua vez pode desencadear a neuroinflamação no cérebro”, aponta Wyss-Coray.

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